Peixe na gravidez aumenta risco de obesidade nas crianças

Estudo com a participação da Universidade do Porto

29 fevereiro 2016
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O consumo de peixe mais que três vezes por semana durante a gravidez aumenta o risco de obesidade nas crianças, que podem nascer com perturbações no sistema endócrino, dá conta um estudo internacional que teve a participação dos investigadores da Universidade do Porto.
 

"O peixe é uma fonte de poluentes orgânicos e uma exposição frequente a esse tipo de produtos químicos (incluindo os desreguladores endócrinos), aumenta os riscos de desenvolver obesidade na infância ou mesmo transtornos durante o crescimento da criança", refere um comunicado divulgado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Os investigadores do ISPUP Henrique Barros e Andreia Oliveira participaram nesta investigação através do programa Geração XXI, que acompanha o desenvolvimento de 8.647 crianças até à idade adulta, iniciado em 2005.
 

Ao longo do estudo foram recolhidas informações de 26.184 mulheres grávidas e dos filhos, na Europa e nos Estados Unidos. Verificou-se que Espanha é o país com maior consumo de peixe durante a gestação, estando Portugal em segundo lugar, com um consumo médio de peixe de quatro vezes por semana.
 

Os investigadores, que estabeleceram uma ligação entre o consumo de peixe por parte da mãe e o desenvolvimento da criança até aos seis anos, afirmam que os excessos são nocivos e comuns, embora não esclareçam sobre a quantidade e o tipo de peixe ideal que deve ser consumido.
 

Das 8.215 crianças acompanhadas, verificou-se que 31% tiveram uma rápida taxa de crescimento desde o nascimento até ao segundo ano, enquanto cerca de 19% (4.987) registaram excesso de peso ou estavam obesas aos quatro anos e 15% (3.476) aos seis anos.
 

"A contaminação dos peixes por poluentes no meio ambiente pode ser uma explicação para os efeitos observados em crianças pequenas entre a quantidade de peixe consumido pelas mães quando estavam grávidas e o aumento do excesso de peso entre as crianças", referiu o estudo.
 

Em 2014, a agência do medicamento norte-americana (FDA, sigla em inglês) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em inglês) já tinham alertado que as mulheres grávidas ou que pretendiam engravidar não deviam consumir peixe mais do que três vezes por semana, para não expor o feto ao mercúrio, considerado "um metal pesado e tóxico para o desenvolvimento do cérebro infantil".
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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