Peixe aumenta resposta aos antidepressivos

Estudo apresentado no congresso da European College of Neuropsychopharmacology

22 outubro 2014
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O aumento do consumo de peixe gordo parece melhorar a taxa de resposta aos antidepressivos nos indivíduos que não respondem a este tipo de fármacos, defende um estudo apresentado no congresso do European College of Neuropsychopharmacology.
 

A equipa de investigadores holandeses, liderada por Roel Mocking, decidiu analisar as alterações biológicas que poderiam explicar a depressão e a falta de resposta aos antidepressivos, tendo combinado duas medidas que não estão aparentemente associadas: o metabolismo dos ácidos gordos e a regulação da hormona do stress, o cortisol.
 

O estudo incluiu a participação de 70 pacientes com depressão e de 51 indivíduos saudáveis Aos pacientes com depressão foi administrado diariamente, ao longo de seis semanas, 20mg de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Aos que não responderam ao tratamento, a dose foi gradualmente aumentada até às 50mg diárias. Os níveis de ácidos gordos e cortisol foram medidos ao longo do estudo.
 

Os investigadores constataram que os pacientes com depressão que não tinham respondido ao tratamento também tendiam a ter o metabolismo dos ácidos gordos alterado. Uma vez que o peixe gordo é rico em ácidos gordos, como o ácido gordo ómega-3, os investigadores decidiram analisar os hábitos dietéticos de todos os participantes.
 

Os pacientes foram categorizados em quatro grupos distintos, tendo em conta a quantidade de peixe consumida. Verificou-se que aqueles que consumiam a menor quantidade de peixe tendiam a responder pior ao tratamento e os que ingeriam maiores quantidades respondiam melhor. Na verdade, aqueles que consumiam peixe gordo, pelo menos uma vez por semana, tinham uma probabilidade de 75% de responder aos antidepressivos, enquanto aqueles que nunca o ingeriam apresentavam uma probabilidade de apenas 23%.
 

“Isto significa que as alterações no metabolismo dos ácidos gordos estavam associadas a uma futura resposta aos antidepressivos. De ressalvar que esta associação envolveu a ingestão de peixe gordo, que é uma importante fonte de ácidos gordos ómega-3”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

“Estes resultados sugerem que as medições do metabolismo dos ácidos gordos e a sua associação com a regulação da hormona do stress podem ser utilizadas na clínica como um indicador precoce da futura resposta aos antidepressivos. Adicionalmente, o metabolismo dos ácidos gordos pode ser influenciado pelo consumo de peixe, o que pode melhorar assim a taxas de resposta aos antidepressivos”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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