Pediatria: O poder terapêutico da magia de Harry Potter

Petizes expulsam problemas com pequenos «feitiços»

14 novembro 2001
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De acordo com o pessoal médico e de enfermagem do Great Ormond Street Hospital em Londres, os livros da escritora J.K. Rowling sobre o jovem feiticeiro ajudam as crianças internadas a enfrentarem melhor a sua experiência de internamento e toda a ansiedade a ela associada.
 

 

São os próprios profissionais de saúde deste hospital que recorrem à magia de Harry Potter para ajudar as crianças a superar os seus medos. Disto é exemplo o caso de uma criança que criou um «feitiço» que a ajudou a ultrapassar o medo das agulhas.
 

 

As crianças com idades entre os sete e os catorze anos, com problemas psicossomáticos como desordens alimentares ou comportamentais são acolhidas na unidade Mildred Creek deste hospital. Lisa Lewer é enfermeira nesta unidade e afirma que «as situações difíceis e perigosas que o Harry Potter enfrenta nas suas aventuras são muito semelhantes aos problemas que as nossas crianças enfrentam quando estão nas unidades de internamento.»
 

 

Os problemas a que L. Lewer se refere são, por exemplo, o confronto com a sensação de perda, a separação dos pais e da família ou a ansiedade relacionada com a criação de novas relações em ambientes não familiares.
 

 

Com as lições do jovem Harry, as crianças aprendem a explorar as diversas formas de abordar os problemas e é enfrentando todas as possibilidades disponíveis que elas encontram os caminhos que lhes permitem ultrapassar as dificuldades do momento.
 

 

Digamos que com a terapia da magia das aventuras de Harry Potter as crianças aprendem a ser verdadeiras «estrategas» quando são confrontadas com realidades desconhecidas.
 

 

It’s magic!
 

 

A utilização das histórias de Harry Potter começou quando se verificou que as crianças reagem aos temas abordados nas suas aventuras.
 

 

Polly Carmichael, psicóloga clínica no Great Ormond Street Hospital, afirmou em entrevista à BBC News Online que «o recurso à fantasia de Harry Potter é muito útil na medida em que as crianças conhecem muito bem esta personagem e identificam-se com ela.»
 

 

Esta psicóloga salienta o facto de que, apesar das suas histórias conterem inúmeros elementos mágicos, os enredos fundamentam-se em verdadeiras realidades. Os temas abordados nas histórias «tocam as crianças que passam por alturas difíceis das suas vidas», precisamente porque elas identificam-se com a personagem.
 

 

Os temas a que P. Carmichael se refere são temas envolvidos com o sentimento de se ser diferente por algum motivo que, no contexto hospitalar, podem ser problemas de saúde mental, doenças crónicas ou simplesmente a solidão sentida quando a criança se separa dos seus entes queridos, porque tem de ficar internada no hospital.
 

 

Ainda de acordo com P. Carmichael, as histórias do pequeno feiticeiro também mostram às crianças que as memórias de experiências traumáticas, como o assassínio dos pais do jovem Harry, não devem ser suprimidas e que compreender e falar sobre as experiências difíceis do passado pode ajudar no processo de não rejeição das mesmas.
 

 

Harry Potter é uma personagem redundante com características boas e más e as suas histórias mostram a busca de Harry para que a sua vida faça sentido, encontrando formas positivas de ultrapassar os problemas, enfrentar as dificuldades e sair triunfante dos seus dilemas. Talvez seja esta a mensagem importante que chega às crianças e as ajuda a encarar os seus problemas de frente.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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