Parto vaginal oferece bactérias boas para a saúde do bebé

Estudo publicado no “PNAS”

08 julho 2010
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Os bebés que nascem de parto natural têm mais bactérias do ambiente vaginal da mãe, enquanto os nascidos por cesariana têm microrganismos comuns encontrados na pele. Estas comunidades bacterianas diferentes têm influência na protecção da saúde do bebé ao longo da vida, alerta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

 

Este estudo, realizado por cientistas da Universidade de Porto Rico e da Universidade do Colorado, nos EUA, analisou 9 mulheres, com idades entre os 21 e os 33 anos, e 10 bebés atendidos no Hospital de Puerto Ayacucho, na Venezuela. Os bebés foram avaliados nas 24 horas após o nascimento, tendo-lhes sido retiradas amostras da boca, da garganta, do tracto gastrointestinal superior e da pele.

 

A investigação demonstrou que os bebés nascidos por parto vaginal apresentavam comunidades bacterianas semelhantes às encontradas nas vaginas da mãe, enquanto os bebés nascidos por cesariana tinham as bactérias que comummente se encontram na pele. "Estas novas descobertas estabelecem uma base importante para acompanhar a progressão das comunidades bacterianas nos bebés e os seus efeitos na saúde humana", afirmou, em comunicado de imprensa, a co-autora do estudo, Maria Dominguez-Bello.

 

De acordo com o estudo, as comunidades bacterianas dos bebés nascidos através de cesariana foram dominadas pelas espécies do género Staphylococcus, em que a maioria são inofensivas mas algumas podem causar infecções graves.

 

Estudos anteriores já tinham constatado que os bebés nascidos através de cesariana podiam ser mais susceptíveis a certos microrganismos, alergias e asma, situações menos comuns nos bebés nascidos por via vaginal.

 

Uma investigação realizada em 2004 nos hospitais de Chicago e de Los Angeles, nos EUA, verificou que entre 64% a 82% dos casos de infecções da pele por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) ocorreram em bebés nascidos por cesariana.

 

Esta é uma das razões que leva a Organização Mundial de Saúde a recomendar aos países que a taxa de nascimentos por cesariana não exceda os 15%. Na China, as cesarianas são responsáveis por quase 50% do total de nascimentos, enquanto nos EUA ascendem a 30%. Portugal detém a segunda maior taxa de cesarianas da Europa: em 2009, mais de 33% do total de nascimentos ocorreram por cesariana.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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