Partículas aumentam processo de coagulação

Estudo publicado na revista “Nature Materials”

10 setembro 2014
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Investigadores americanos desenvolveram uma nova classe de partículas, semelhantes às plaquetas sanguíneas, que poderão aumentar a coagulação natural do sangue no âmbito dos tratamentos de urgência e lesões traumáticas.
 
O estudo publicado na revista “Nature Materials” refere que estas partículas podem oferecer aos médicos uma nova opção para o tratamento de hemorragias cirúrgicas e de certos problemas de coagulação, sem necessidade de recorrer a transfusões de plaquetas naturais.
 
A corrente sanguínea contem proteínas, conhecidas como fibrinogénios, que são percursores da fibrina, o polímero que fornece a estrutura básica para a formação de coágulos sanguíneos. Quando recebem os sinais corretos por parte de uma proteína conhecida por trombina, estes percursores polimerizam no local da hemorragia. 
 
As partículas agora desenvolvidas, que se baseiam-se num hidrogel macio e deformável, são despoletadas pelo mesmo fator, sendo assim ativadas apenas quando o processo de coagulação natural do organismo é iniciado.
 
De forma a ativar as partículas, os investigadores do Instituto de Tecnologia da Georgia, da Universidade de Emory, do Serviço de Saúde Pediátrico de Atlanta e da Universidade do Estado de Arizona, nos EUA, centraram-se num processo para desenvolver um anticorpo capaz de se associar às partículas de hidrogel e alterar a sua forma quando estas encontrassem a fibrina ativada pela trombina. O anticorpo resultante apresenta uma elevada afinidade com a forma polimerizada da fibrina e uma baixa afinidade com o material precursor.
 
A eficácia das partículas semelhantes à fibrina foi testada em modelos animais e com sangue humano, numa câmara de microfluidos, desenhada para simular as condições presentes no sistema circulatório do organismo. Na câmara, os tubos com um diâmetro de um cabelo humano foram alinhados com as células endoteliais como nos vasos sanguíneos naturais. 
 
A câmara foi utilizada para analisar sangue normal e sangue sem plaquetas. Tal como esperado, os coágulos formaram-se apenas no sangue normal. Contudo, quando as novas partículas foram adicionadas ao sangue sem plaquetas foi possível observar a formação de coágulos.
 
Os investigadores testaram também novas partículas no sangue de crianças submetidas a uma cirurgia de coração aberto que necessita que o sangue seja diluído, o que reduz consequentemente a sua capacidade de coagulação. Verificou-se que a adição das partículas conduziu à formação de coágulos. A segurança das partículas foi ainda testada no sangue de pacientes hemofílicos.
 
“Em pacientes com níveis insuficientes de plaquetas devido a hemorragia ou doença hereditária, os médicos têm frequentemente de recorrer a transfusões de plaquetas, que podem ser difíceis de obter. Estas partículas podem ser uma forma de evitar a necessidade de transfusões. Apesar de não terem todos os componentes naturais das plaquetas, várias experiências demonstraram que estas partículas aumentaram o processo de coagulação”, revelou, em comunicado de imprensa, Wilbur Lam, um dos autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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