Parkinson: estimulação cerebral melhora substancialmente vida dos doentes

O procedimento está disponível em Portugal desde 2002

12 abril 2017
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Centenas de doentes de Parkinson recuperaram autonomia e mobilidade através da cirurgia de estimulação cerebral profunda, anunciou a agência Lusa.
 
O procedimento encontra-se disponível em Portugal desde 2002 e veio aumentar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
 
A terapêutica consiste no implante de um dispositivo colocado a poucos centímetros do cérebro, numa intervenção em que o doente apenas recebe anestesia local para poder colaborar no procedimento e assegurar a eficácia do tratamento.
 
"Tinha muitas dificuldades de locomoção e cheguei a deslocar-me de cadeira de rodas, mas depois da cirurgia tive uma melhoria muito significativa e um aumento de qualidade de vida substancial", disse à agência Lusa o médico obstetra João Wadhoomall, de 75 anos, operado em outubro de 2012 no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
 
Manuel Felizardo, engenheiro civil, de Pombal, recebeu o diagnóstico aos 41 anos, numa consulta de medicina do trabalho, que confirmou a causa dos tremores que registava nos membros superiores. Foi reformado por invalidez em 2010 e, em 2013, com 54 anos, foi submetido à cirurgia, no CHUC, que lhe devolveu a autonomia e a possibilidade de voltar à sua atividade, como voluntário, no município de Pombal.
 
Segundo o neurologista Fradique Moreira, da consulta de estimulação cerebral profunda nos CHUC, "a eficácia desta intervenção depende muito da seleção dos doentes, porque nem todos podem ser sujeitos à cirurgia e nem todos têm eficácia com esse tratamento".
 
A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado na doença de Parkinson.
 
O objetivo é restabelecer o funcionamento normal de um circuito cerebral anómalo, através da aplicação de um estímulo elétrico num núcleo específico que faz parte desse circuito, que servirá de marca-passo para o funcionamento celular", explicou Fradique Moreira, salientando que é necessário ajustar e regular o aumento da estimulação e o decréscimo da medicação.
 
"Conseguimos dar uma boa qualidade de vida e melhorar os sintomas que já não estavam a ser controlados pela medicação. O doente fica com uma boa capacidade motora, mas a doença continua a progredir, pois é degenerativa e ainda não conseguimos travar o seu curso", observou a neurologista Cristina Januário, da consulta do movimento no CHUC.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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