Parkinson: descoberta de redução de enzima pode conduzir a novos tratamentos

Estudo publicado na revista “Brain”

06 agosto 2015
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Um novo estudo apoiado pela Fundação Michael J. Fox demonstrou que os doentes com Parkinson apresentam níveis reduzidos de uma importante enzima cerebral, a fosfodiesterase 10A (PDE10A), o que pode conduzir a novos tratamentos.
 
A investigação teve a participação de Tiago Reis Marques, médico psiquiatra e investigador português do Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres, que, em declarações à agência Lusa, explicou que “as fosfodiesterases são uma família de enzimas que se expressam em várias zonas do corpo humano”.
 
De acordo com este cientista, esta enzima “tem a particularidade de se localizar numa região específica do cérebro, os gânglios da base, onde está envolvida na regulação da dopamina, o neurotransmissor implicado em doenças como a doença de Parkinson e a esquizofrenia”.
 
O estudo foi desenvolvido durante dois anos por um consórcio internacional de neurologistas e psiquiatras que se dedicou a estudar a enzima PDE10A em várias doenças psiquiátricas e neurológicas, como a esquizofrenia, a doença de Parkinson e a doença de Huntington.
 
“Para observar a enzima PDE10A, os investigadores recorreram a uma técnica de Medicina Nuclear, através da qual injetaram nos doentes uma substância radioativa com a capacidade de se ligar especificamente a esta enzima e, assim, a visualizar e quantificar”, refere um comunicado do estudo a que a Lusa teve acesso.
 
Os resultados mostraram “uma redução da PDE10A entre 14 a 28% quando comparado com indivíduos saudáveis do mesmo sexo e faixa etária”.
 
“Ainda mais relevante foi verificar que a redução nesta enzima estava associada à gravidade dos sintomas motores, bem como à progressão da doença, com aqueles doentes numa fase mais avançada e com sintomas motores mais graves apresentando uma redução ainda maior desta enzima”, lê-se no comunicado.
 
Os resultados deste estudo “sugerem fortemente que a PDE10A pode ser um potencial alvo para novos fármacos no tratamento da doença de Parkinson”.
 
“Apesar de para a grande maioria das pessoas uma enzima como a fosfodiesterase nada significar, o facto é que a construção de fármacos dirigidos a esta família de enzimas tem sido um sucesso”, acrescentou Tiago Reis Marques.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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