Parkinson: cientistas portugueses fazem avanços no tratamento

Estudo publicado na revista "PLOS Biology"

07 março 2017
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Um grupo de investigadores portugueses descobriu uma forma de atrasar a progressão da doença de Parkinson ou tratar alguns sintomas, anunciou a agência Lusa.
 
O estudo conduzido por Tiago Outeiro e um grupo de investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, apurou que uma proteína presente em aglomeração no cérebro dos doentes com Parkinson sofre uma alteração química que, se for controlada, poderá atrasar a progressão da doença de Parkinson ou tratar alguns sintomas.
 
Tiago Outeiro, que, estuda desde 2007 as moléculas relacionadas com a doença de Parkinson e foi avançando na sua identificação, com este trabalho obteve a confirmação acerca do seu funcionamento.
 
"Podemos, por um lado, tentar continuar a utilizar aquelas moléculas cujo funcionamento agora conhecemos em mais detalhe ou, [por outro] tentar descobrir novas moléculas que funcionem desta forma", explicou à agência Lusa.
 
Trata-se de tentar controlar "esta alteração química na [proteína] alfa-sinucleína por forma a alterar a sua aglomeração no cérebro e a proteger as pessoas", referiu o cientista coordenador do trabalho. "À medida que vamos sendo capazes de diagnosticar a doença mais cedo, se conseguirmos intervir mais cedo e impedir a aglomeração desta proteína, [talvez] possamos atrasar a progressão da doença ou tratar alguns dos sintomas", continuou.
 
A aglomeração da proteína alfa-sinucleína é tóxica e acontece nos cérebros das pessoas com doença de Parkinson. Os investigadores portugueses descobriram que a proteína "sofre uma alteração química que se chama acetilação e isto altera o seu comportamento", especificou Tiago Outeiro, acrescentando que "esta alteração nomeadamente reduz a aglomeração da proteína".
 
"É uma informação muito importante porque nos dá uma ideia clara de um possível alvo terapêutico", concluiu.
 
A doença de Parkinson está associada à degradação dos neurónios produtores de dopamina, levando a um decréscimo da produção deste mensageiro químico no cérebro e, consequentemente, aos sintomas motores característicos da doença, explica uma nota da universidade.
 
Nos doentes com Parkinson também se verifica a acumulação de agregados proteicos, constituídos pela proteína alfa-sinucleína, nas células neuronais e, até agora, desconhece-se se esta aglomeração será uma das causas da doença ou um efeito desta.
 
A doença de Parkinson tem maior incidência nas pessoas mais velhas, mas também se registam casos em adultos com menos de 50 anos. Estimativas apontadas pela universidade referem que mais de 10 milhões de pessoas no mundo sofrem de Parkinson.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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