Parentalidade positiva para crianças com paralisia

Declarações da psicóloga da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra

14 julho 2015
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Crianças de Coimbra com paralisia cerebral estão a ser alvo de um programa de educação parental desenvolvido para crianças com hiperatividade e défice de atenção.
 
Numa relação onde a paralisia ocupa um papel central, os pais podem demitir-se da "imposição de regras e limites" por sentirem que a vida "já castigou demasiado o seu filho", explicou à agência Lusa a psicóloga da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC). Esta instituição decidiu, em parceria com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, implementar o programa de educação parental "Anos Incríveis", que desenvolve estratégias para reduzir distúrbios em crianças com hiperatividade, défice de atenção ou agressividade.
 
"Porque é que estes pais precisam do programa? Porque são pais. A paralisia é uma coisa na vida, mas não é a vida", explica uma das coordenadoras do programa em Portugal, Filomena Gaspar, referindo que as estratégias utilizadas pretendem fazer com que o foco dos pais "não seja no que a criança não faz bem, mas no que faz bem".
 
De acordo com a também docente da Faculdade de Psicologia, os pais precisam de "se focar no essencial e não gastar tempo no que não interessa", dando atenção positiva ao mesmo tempo que impõem limites e consequências para desobediências e birras.
 
Numa sala da sede da APCC, pais de 13 crianças com paralisia cerebral, dos três aos oito anos, começaram em abril a receber formação deste programa, em que se procura "acabar com a frustração e insegurança" que os progenitores possam sentir, disse à agência Lusa Joana Lobo.
 
Durante as formações, os pais põem-se no lugar dos filhos, aprendem a impor limites e a brincar, numa sala onde reina o pensamento positivo, que segue depois para casa, como conta Susana Pires, mãe da Carolina, de sete anos.
 
"Foco-me mais nos aspetos positivos, aproveito melhor o tempo que tenho com a Carolina, mas também percebi que estava a fazer algumas coisas bem", diz a mãe, de 25 anos, da Guarda, que nota sinais de melhoria na sua filha que diz ser "um bocadinho manipulativa".
 
O pouco tempo que tem com a filha, devido ao trabalho, aproveita agora "da melhor forma", refere.
 
"Não aproveitávamos tanto para brincar. Agora, chego a estar duas horas só a brincar", salienta Sofia Gouveia, de 39 anos, referindo que está "mais feliz".
 
Maria Filomena Gaspar acrescenta: "Custa menos que uma caixa de antidepressivos".
Miguel Monteiro, pai do David, de seis anos, afirma que a paralisia "é como uma tragédia que se abate" no seio da família. "Vivemos centrados nesse problema e esquecemo-nos de que são crianças normais. O meu filho é muito acompanhado, está rodeado de técnicos, mas só tem uns pais. Não podemos esquecer a afetividade, temos de lhe dar carinho", salienta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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