Parasitas poderão ajudar no combate das doenças autoimunes

Estudo publicado na “Nature Reviews Immunology”

12 setembro 2013
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu uma nova arma que pode ser utilizada no tratamento de doenças autoimunes como a diabetes tipo 1, artrite reumatoide, doença de Crohn e lúpus, sugere um estudo publicado na revista “Nature Reviews Immunology”.

 

Através do estudo da forma como o organismo reage aos pequenos parasitas que vivem nos intestinos, os investigadores do Institutes of Health, nos EUA e da -Universidade de Edinburgh, no Reino Unido , esperam conseguir combater de forma mais eficaz este tipo de doenças.
 

De acordo com os investigadores, a presença destes parasitas nos humanos, ao longo de mais de um milénio de evolução, conduziu ao desenvolvimento da resposta imunitária denominada por tipo 2. Esta inclui vias imunitárias reguladoras que ajudam a controlar a inflamação que está associada ao desenvolvimento das doenças autoimunes.
 

O estudo refere que a resposta imune evolui de forma a reparar rapidamente as feridas causadas por estes invasores, à medida que eles se movem no organismo. Estes componentes da resposta imune tipo 2 podem um dia ser utilizados para aumentar o processo de cura das feridas. Adicionalmente, esta resposta despoleta as vias regulatórias que bloqueiam as respostas imunes prejudiciais, ou inflamação, que de outra forma exacerbariam os danos no tecido.
 

“A identificação de novas formas capazes de estimular os componentes da resposta imune tipo 2 poderá fornecer um conjunto de ferramentas que tenham por alvo o controlo da resposta inflamatória associada a estas diferentes doenças”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos líderes do estudo, William Gause.
 

De acordo com os investigadores, atualmente os parasitas ou os produtos deles resultantes poderão ser introduzidos no organismo para treinar os sistemas imunes comprometidos. Um estudo anterior levado a cabo pela mesma equipa de investigadores demonstrou que a introdução destes parasitas em ratinhos conduziu à produção de moléculas sinalizadoras, as quais aumentaram a proteção dos animais contra a diabetes tipo 1.
 

Este achado espelha o que de facto ocorre nos países em desenvolvimento onde esta infeção é endémica, mas em que a incidência da diabetes tipo 1 é extremamente baixa. “Há um conjunto crescente de evidências que apoiam a hipótese higienista que sugere que a diminuição da exposição aos microrganismos nos países industrializados poderá impedir o desenvolvimento de vias imunitárias reguladoras que de outro modo controlariam as respostas infamatórias nocivas”, explicou o investigador.
 

O resultado de todo este processo é assim o aumento da incidência de várias doenças associadas à inflamação. “No caso de conseguirmos identificar uma forma de aplicar os benefícios que os parasitas parecem proporcionar ao sistema imune, a questão levanta em torno da limpeza e do desenvolvimento das doenças inflamatórias deixaria de ser relevante”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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