Parasitas intestinais podem travar doença inflamatória dos intestinos?

Estudo publicado na revista “Science”

19 abril 2016
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A infeção por parasitas pode proteger contra a doença inflamatória dos intestinos ao desencadear uma resposta do sistema imunitário que altera as bactérias presentes na flora intestinal, defende um estudo publicado na revista “Science”.
 

O estudo da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, apoia a hipótese higienista de que, no caso da doença inflamatória dos intestinos, a ausência da exposição a parasitas em espaços modernos demasiado limpos fez com que alguns indivíduos ficassem demasiado vulneráveis às doenças inflamatórias. Os parasitas intestinais têm ajudado a “treinar” e a equilibrar o sistema imunológico ao longo da evolução humana. Contudo, a sua escassez nos países desenvolvidos tem conduzido a maiores taxas de doença de Crohn e colite ulcerativa.
 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Ken Cadwell, utilizaram ratinhos que não expressavam o gene NOD2, que está associado a várias doenças imunitárias, incluindo a doença inflamatória dos intestinos. Verificou-se que os animais alimentados com parasitas intestinais apresentaram uma diminuição de cerca de mil vezes na quantidade de Bacteroides, bactérias que já tinham sido anteriormente associadas a um maior risco de doença inflamatória dos intestinos. Verificou-se que, simultaneamente, o número de Clostridia, uma classe de bactéria envolvidas no combate à inflamação, aumentou dez vezes.
 

O estudo apurou ainda que os ratinhos apresentaram uma erradicação quase completa de muitos dos sintomas da doença inflamatória dos intestinos, incluindo úlceras e hemorragias intestinais. Os investigadores defendem que a resposta imune aos parasitas ativa o crescimento das Clostridia, que competem com as Bacteroides por nutrientes ou libertam toxinas prejudiciais contra estas bactérias.
 

Os cientistas também analisaram amostras de fezes de 75 indivíduos que viviam em zonas rurais da Malásia, onde as taxas da doença inflamatória dos intestinos são baixas, mas a incidência de infeções parasitárias é elevada. Comparativamente com as amostras de fezes de 20 indivíduos de uma zona urbana nas proximidades da Malásia, verificou-se que aquelas que viviam em zonas rurais apresentavam menos Bacteroides, mas mais Clostridia.
 

Na opinião de Ken Cadwell, estes achados podem alterar a forma como os cientistas e os médicos encaram o tratamento da doença inflamatória dos intestinos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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