Parasitas à espreita em parques e jardins

Especialistas debatem doenças transmitidas por cães e gatos

25 fevereiro 2005
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A relva de parques e jardins onde brincam as crianças pode esconder parasitas de cães e gatos que transmitem doenças perigosas e que representam um problema de saúde pública. Foi esta a conclusão de vários especialistas que esta semana se reuniram no Jardim Zoológico, em Lisboa.
 

 

Segundo o professor Luís Carvalho, especialista em doenças parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, brincar na relva ou na terra e levar as mãos sujas à boca é o suficiente para as crianças poderem ingerir ovos de parasitas ou serem infectadas por larvas largadas pelas fezes de cães e gatos.
 

 

A toxocarose é uma das principais doenças parasitárias e transmite-se por via oral, através do contacto das mãos sujas com a boca, podendo dar origem a problemas de fígado e alterações oculares que podem levar à perda da visão. No entanto, o sistema imunitário dos adultos está mais preparado para combater a doença, cujos sintomas podem também, por vezes, confundir-se com uma gripe ou uma hepatite, o que aumenta a dificuldade ao nível do diagnóstico.
 

 

Um estudo realizado em 2001 revelou que 13 por cento das 344 pessoas analisadas tinha desenvolvido anticorpos relativamente a este parasita, o que significa que já tinha estado em contacto com a doença.
 

 

A hidatidose é outra das doenças que pode ser apanhada quando se faz festas a um cão ou se está em contacto com a relva, sendo transmitida através de um verme que, ao entrar no organismo, dá origem a uma larva que pode chegar a atingir os 15 centímetros de comprimento.
 

 

Combate
 

 

Nos últimos quatro anos, a Direcção Geral de Saúde (DGS) registou uma média de 17 casos de infecção por hidatidose por ano, mas a própria DGS afirma que estes dados estão longe da realidade, apesar de se tratar de uma doença de declaração obrigatória.
 

 

«Os números existentes estão certamente muito afastados da realidade porque, na maior parte das vezes, este problema não é sequer reportado às autoridades de saúde. Muitas vezes os médicos dos centros de saúde passam os anti-parasitários e não registam os casos», explicou à Lusa Judite Catarino, da DGS.
 

 

A responsável considera ser é necessário apostar numa maior educação da população relativamente aos cuidados de higiene, defendendo «multas pesadas para os donos de cães que não apanham os dejectos» deixados pelos seus animais.
 

 

As autarquias têm também um papel importante no combate ao problema, sendo necessário que haja uma política concertada de retirar os animais abandonados das ruas, considera Judite Catarino. «Se não houver cuidado no controlo dos parasitas, através de desparatisações regulares, dá-se uma reinfecção contínua dos animais e o problema permanece», defende também o especialista Luís Carvalho.
 

 

Fonte: Lusa
 

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