Parar de tomar aspirina diária aumenta o risco de enfarte do miocárdio

Estudo publicado na revista BMJ

08 setembro 2011
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Os doentes cardíacos que param a toma diária da aspirina em baixa dosagem podem ser estar em risco de sofrer um enfarte do miocárdio, aponta um estudo publicado na revista “British Medical Journal”.

 

A aspirina tomada diariamente em doses baixas (geralmente entre 75 e 300 miligramas) é recomendada para ajudar a prevenir coágulos sanguíneos em pacientes com doença cardíaca. Mas cerca de 50% dos pacientes param de tomá-la, apontam, em comunicado, os autores do estudo. Isso pode resultar num aumento do risco de problemas cardíacos, mas pouco se sabe sobre se há um aumento do risco específico de enfarte do miocárdio.

 

O novo estudo sugere que o risco de enfarte do miocárdio aumenta quando a dose de aspirina é descontinuada. Portanto, "os pacientes devem ser alertados para que, a menos que haja um alto risco de hemorragias graves ou se um médico o recomendar, nunca interromperem a toma diária da aspirina em baixa dosagem, dado os seus grandes benefícios", disse o líder da investigação, Luis García Rodriguez, director do Centro Espanhol de Investigação Farmacoepidemiológica em Madrid, acrescentando que "os pacientes que suspendem a toma de aspirina devem fazê-lo durante um tempo mínimo necessário".

 

Para o estudo, a equipa de García Rodriguez recolheu dados de mais de 39,500 pacientes, com idades entre 50 a 84 anos, participantes da Rede de Melhoria da Saúde (Health Network Improvement), uma grande base de dados de registos médicos do Reino Unido. Entre 2000 e 2007 foram prescritos aos pacientes aspirina em baixa dosagem para prevenir o enfarte do miocárdio e outras complicações cardíacas.

 

Durante três anos de acompanhamento, a equipa descobriu que aqueles que pararam de tomar a aspirina experimentaram um aumento do risco de enfarte do miocárdio não-letal na ordem de 60%. Este resultado foi independente do tempo ao qual os pacientes tomavam a aspirina antes de decidirem parar. Segundo os investigadores, estes dados traduzem-se em quatro enfartes do miocárdio adicionais por cada mil pacientes no ano em que pararam de tomar a aspirina.

 

De acordo com os especialistas, a toma diária da aspirina em baixa dosagem reduz a doença e a morte por doença cardíaca, embolia pulmonar (coágulos no pulmão) e cancro colorretal. Além disso, a aspirina ajuda a prevenir eventos recorrentes em pacientes que sofreram de doença da artéria coronária. Além de ser extremamente segura e barata, deve ser evitada por pessoas em risco de complicações alérgicas ou de hemorragia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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