Paraplegia combatida com estimulação elétrica

Estudo publicado na revista “Brain”

11 abril 2014
  |  Partilhar:

Quatro pacientes com paraplegia são agora capazes de mover os músculos paralisados graças a uma nova terapia que envolve a estimulação elétrica da espinal medula, dá conta um estudo publicado na revista “Brain”.
 

Os participantes, que estavam paralisados há mais de dois anos, foram capazes de voluntariamente fletir os dedos dos pés, os tornozelos e os joelhos após a introdução de um dispositivo que envia à espinal medula inferior uma corrente elétrica similar aos sinais transmitidos pelo cérebro.  
 

O tratamento, denominado estimulação epidural, fornece uma corrente elétrica de frequência e intensidade variáveis às zonas da medula espinal que estão ligadas aos feixes de fibras nervosas que controlam o movimento das ancas, joelhos, tornozelos e dedos dos pés.
 

Um dos achados mais impressionantes e inesperados deste estudo, levado a cabo pelos investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, sigla em inglês), nos EUA, foi o facto de dois dos pacientes terem paralisia motora e sensorial completa. Nestes pacientes, a via que envia informação sobre a sensação das pernas ao cérebro está danificada. Assim como acontece com a via que envia informação do cérebro às pernas para controlo do movimento. Deste modo, este foi um resultado surpreendente uma vez era assumido que pelo menos uma das vias sensoriais necessitava de estar intacta para que a terapia fosse eficaz.
 

“Isto é algo completamente inovador para os investigadores que trabalham nesta área e oferece também uma nova visão sobre a espinal medula, ou seja mesmo após danos severos pode haver recuperação funcional”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Claudia A. Angeli.
 

De acordo com os investigadores deste último estudo, foi espantoso observar a rapidez com que os participantes começaram a ter movimentos voluntários após o implante do dispositivo. Os resultados foram ainda mais positivos em combinação com o treino físico. Foi verificado que os participantes foram progressivamente capazes de mover as pernas com menos estimulação, o que sugere que a espinal medula estava a “aprender” e a melhorar a função nervosa.
 

“Atualmente, para além dos cuidados médicos habituais, não existem tratamentos eficazes baseados na evidência para os danos crónicos da espinal medula. Contudo, as implicações deste estudo são profundas e podemos agora imaginar o dia em que a estimulação epidural vai fazer parte do cocktail de terapias utilizadas para tratar a paralisia” referiu, a vice-presidente da Christopher and Dana Reeve Foundation, Susan Howley.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.