Paralisia cerebral: como afeta as famílias?

Estudo publicado na revista “British Medical Journal”

18 julho 2014
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A paralisia cerebral pode afetar vários membros da mesma família, sugere um estudo publicado na revista “British Medical Journal”.
 

A paralisia cerebral é a causa mais comum de deficiência das crianças, afetando aproximadamente dois em cada 1.000 nados vivos nos países desenvolvidos. Esta doença é causada por danos no cérebro imaturo, tendo já sido identificados vários fatores de risco como parto prematuro, crescimento anormal, exposição à infeção e baixos níveis de oxigénio ao nascimento.
 

Estudos anteriores já tinham encontrado uma possível relação familiar para a doença, contudo os resultados foram difíceis de replicar. Neste estudo, uma equipa de investigadores noruegueses decidiu agora analisar a recorrência da paralisia cerebral entre gémeos e familiares em primeiro, segundo e terceiro grau, de forma a obter mais informações sobre os padrões de herança da doença.  
 

O estudo envolveu 1.991.625 nascimentos únicos e 45.116 gémeos nascidos entre 1967 e 2002. Foram identificados 3.649 casos de paralisia cerebral em dois milhões de nascimentos. A prevalência da doença foi de 1,8 por 1.000 crianças nascidas entre 1967 e 2002, sendo a taxa de prevalência de paralisia cerebral mais elevada nos gémeos do que nos nascimentos únicos.
 

No caso dos gémeos, se um deles tivesse paralisia cerebral, o risco relativo de recorrência da doença era 15 vezes maior para o outro gémeo. Nas famílias com um único filho afetado, havia um risco nove vezes maior de o segundo filho ter a doença e um risco três vezes maior no caso dos meios-irmãos. Este aumento do risco foi independente do sexo e persistiu após os investigadores terem excluído os nascimentos prematuros.
 

No caso dos pais afetados pela doença, estes tinham um risco 6,5 % maior de terem filhos com paralisia cerebral, comparativamente com aqueles que eram saudáveis. Para os indivíduos com um primo afetado, constatou-se que havia um ligeiro aumento do risco.
 

“Os nossos dados sugerem que a paralisia cerebral tem uma componente genética, com uma recorrência mais forte entre os parentes com uma relação genética mais estreita e que as causas subjacentes da doença vão para além da gestão clínica do parto”, revelaram, em comunicado de imprensa, os investigadores.
 

No entanto, os autores do estudo acrescentam que as influências genéticas são apenas uma das várias causas da doença e que os estudos futuros deveriam ter em conta a possibilidade das causas genéticas, bem como a suscetibilidade genética às causas ambientais.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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