Paragem cardíaca: epinefrina pode não ser a solução

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

04 dezembro 2014
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A administração de epinefrina, que ajuda a reanimação cardíaca, pode aumentar a probabilidade de morte ou danos cerebrais debilitantes nos pacientes com paragem cardíaca, sugere um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”.
 

A epinefrina, também conhecida como adrenalina, é uma hormona que estimula o coração e promove o fluxo sanguíneo. As diretrizes internacionais atuais recomendam a administração de 1mg de epinefrina a cada três a cinco minutos durante a reanimação.
 

“O papel da epinefrina é cada vez mais questionável na paragem cardíaca. Temos de avaliar constantemente os nossos procedimentos e protocolos para ter a certeza de que a utilização da epinefrina é eficaz e utilizada no momento correto”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Florence Dumas.
 

Para o estudo, os investigadores do Centro de Investigação Cardiovascular de Paris, em França, analisaram os registos de mais de 1.500 indivíduos que deram entrada num grande hospital de Paris, ao longo de 12 anos. Os pacientes tinham sofrido uma paragem cardíaca fora do ambiente hospitalar, foram reanimados e conseguiram ter retorno da circulação espontânea. Cerca de três quartos dos pacientes receberam pelo menos uma dose de epinefrina
 

O estudo apurou que, no momento da alta, 69% dos pacientes que não tinham sido tratados com epinefrina apresentavam uma função cerebral normal ou moderadamente comprometida, comparativamente com apenas 19% dos pacientes tratados com este fármaco.
 

Os pacientes aos quais foram administradas doses mais elevadas de epinefrina tiveram piores resultados do que aqueles tratados com doses mais baixas. Comparativamente com aqueles que não foram tratados com epinefrina, aqueles que receberam 1mg ou 5mg deste fármaco apresentaram um risco 52% ou 77% maior de ter piores resultados.
 

O tempo de administração da epinefrina também parece ser um fator importante. Os pacientes que receberam este fármaco em estádios mais avançados da reanimação apresentaram um risco maior de morte, comparativamente com aqueles que a receberam pouco depois do colapso. Os efeitos adversos da epinefrina não parecem ser afetados pela utilização de tratamentos médicos pós-reanimação, como técnicas de arrefecimento do corpo para reduzir os danos nos tecidos ou intervenções para restaurar o fluxo do sangue através do desbloqueio de artérias.
 

De acordo com a investigadora, estes resultados não indicam necessariamente uma necessidade imediata de alterar as diretrizes, no entanto, "É muito difícil, porque a adrenalina em doses baixas parece ter um bom impacto nos primeiros minutos, mas é mais perigosa se for utilizada mais tarde. Seria perigoso incriminar este fármaco, porque pode ser útil para pacientes em determinadas circunstâncias. Este é mais um estudo que sugere fortemente a necessidade de estudar a epinefrina em animais e em estudos randomizados”, conclui Florence Dumas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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