Para-suicídio aumenta entre os adolescentes em Portugal

Medicação e mutilação são os métodos mais utilizados

31 julho 2009
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O para-suicídio está a aumentar entre os adolescentes em Portugal, sendo a rejeição e a falta de conhecimento sobre como lidar com o desespero as grandes causas deste comportamento.

 

Carlos Braz Saraiva, psiquiatra responsável pela Consulta de Prevenção do Suicídio nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) revelou à agência Lusa que "em Portugal existe um fenómeno crescente de para-suicídio adolescente, mas felizmente suicidas consumados há poucos", explicando que "o para-suicídio pressupõe que a intenção de suicídio é quase zero". "Uma jovem que, perante um desgosto amoroso, toma comprimidos é um para-suicídio, o que é uma situação diferente de um rapaz que se decide enforcar e escolhe um local ermo para o fazer", explica.

 

A questão central do para-suicídio é a rejeição. Os adolescentes sentem-se marginalizados, incompreendidos e, no final, não sabem como lidar com o desespero. O para-suicídio é um fenómeno das classes sociais mais baixas, estando normalmente associado a famílias com histórias de alcoolismo, toxicodependência ou abandono. "São normalmente filhos de famílias disfuncionais, que sentem que não têm com quem contar. Nunca tiveram confidentes, sentem-se rejeitados ou então foram abandonados pelo pai quando eram crianças", explica Carlos Braz Saraiva.

 

No entanto, este fenómeno também atinge as classes sociais mais altas, "onde os níveis de exigência são muito elevados, porque esperam que os filhos continuem uma espécie de dinastia na carreira. Esperam que sejam brilhantes no sucesso escolar".

 

As estimativas nacionais apontam para 200 casos de suicídio por cada cem mil jovens, "mas se analisarmos apenas as raparigas o número sobe para 600 por cem mil habitantes", chama a atenção Carlos Braz Saraiva. "A vida para os adolescentes não é nada fácil. Para eles, a vida vale pouco", esclarece António Albuquerque, chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital Júlio de Matos.

 

Os métodos mais utilizados pelos adolescentes são as sobredosagens medicamentosas e as automutilações. "Um em cada cinco jovens que entra nas urgências por sobredosagem também são cortadores", avança o especialista de Coimbra, explicando que se trata de um "método para trocar a dor de alma pela dor do corpo".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

 

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