Para seduzir é preciso mentir?

Pode até dizer-se que não, mas todos o fazem...

05 fevereiro 2002
  |  Partilhar:

Diga lá a verdade: nunca mentiu, exagerou ou omitiu algo sobre a sua aparência, personalidade ou status para conquistar uma pessoa? Não se preocupe porque você não é o único. De acordo com um estudo recente, coordenado por Wade Rowatt da Baylor University, Waco (Texas – EUA), a mentira faz parte da vida diária. Literalmente.
 

 

"A mentira faz parte da vida diária. Ela ocorre à medida que tentamos atrair as pessoas. Ela ocorre em diversos contextos e, na maioria dos casos, provavelmente ela é inofensiva", explicou Wade Rowatt à agência Reuters. Este investigador da Universidade Baylor, em Waco (Texas) apresentou os resultados deste estudo na passada sexta-feira durante o encontro anual da Society for Personality and Social Psycology.
 

 

Como é que se mente para seduzir?
 

 

Rowatt e seus colaboradores recrutaram 77 voluntários: 56 mulheres e 21 homens, todos estudantes universitários. À semelhança do que acontece numa agência matrimonial, os candidatos estudaram ficheiros compostos por fotos e pequenas autobiografias de pretensos candidatos a pretendentes, de diferentes graus de atracção. Os investigadores escolheram esta metodologia porque estas autobiografias também fornecem pistas acerca do parceiro/a que se procura.
 

 

Os voluntários que estudaram estes ficheiros pessoais tiveram de responder a cada candidato escolhido, descrevendo, numa escala de zero a sete, o seu próprio nível de atracção física, o seu grau de gentileza, o nível de sucesso/status e outras qualidades.
 

 

Os investigadores constataram que as pessoas não se descrevem de uma forma coerente ao indivíduo A, B ou C. Antes pelo contrário: «as pessoas adaptam-se às expectativas da pessoa que querem conquistar.» No caso do namoro, as pessoas adaptam-se às expectativas daquela pessoa que acham mais atraente.
 

 

Por exemplo, no que diz respeito à qualidade «gentileza», os voluntários atribuíram a si próprios o nível «7» quando o candidato, especialmente atraente, referia que o seu parceiro/a ideal teria de ser «muito carinhoso/a». Já quando a gentileza não era tida como um pré-requisito de grande importância, os níveis de auto-avaliação foram mais baixos, variando entre o 4 e 5.
 

 

Este tipo de comportamento não sofreu variações entre o género feminino e o masculino. Contudo, Rowatt salienta a existência de estudos anteriores que mostram que os homens tendem a exagerar o seu nível de compromisso numa relação romântica e o seu status social ou até mesmo no vencimento mensal. Já as mulheres tendem a exacerbar o seu nível de atracção física quando interagem com o homem que desejam..
 

 

Não se preocupe! Essas mentiras são inofensivas. Mas não exagere...
 

 

Estas revelações estão a deixá-lo arrasado? Descanse! Rowatt acredita que a maioria destas pequenas mentiras são completamente inofensivas e «podem mesmo ter uma função positiva», afirma. Segundo este investigador, quando mentimos um pouco, ou omitimos algo acerca das nossas qualidades menos perfeitas, isso não é mais do que uma tentativa para que as interacções iniciais com o ser desejado sigam sem precalços. «Não é mais do que uma procura de valores comuns, de semelhanças para garantir que essa interacção perdure», defende Rowatt ao mesmo tempo que lança o alerta: «mas a mentira tem limites!»
 

 

Segundo os autores do estudo, os problemas surgem quando as mentiras são diamentralmente opostas da verdade. Ou seja, quando alguém afirma ter qualidades completamente desfasadas da realidade – isso é que pode começar a ter efeitos negativos na relação, devido à falta de confiança que surge logo no início de um relacionamento. E este facto não é exclusivo da relação amorosa. Qualquer relação de amizade pode sucumbir à falta de confiança.
 

 

No entanto, Rowatt e seus colaboradores reconhecem que no mundo actual em que novas formas de comunicação reinam, existe um local de eleição onde pode ser especialmente difícil separar o factor «romance» da «ficção» e da «mentira»: a Internet. «Aqui, as pessoas são livres para mentir acerca de si próprias», afirmou Rowatt à Reuters. Segundo este investigador, trata-se de um mundo em que não existe qualquer tipo de vigilância e, por isso, é muito difícil verificar a veracidade do que é dito em rede. Por esse motivo, as pessoas tendem a falsificar informações, ainda mais quando sabem que não vão conhecer pessoalmente a outra pessoa.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.