Papel dos avós na evolução das espécies

Mamíferos, aves, insectos e peixes dependem dos mais velhos

15 dezembro 2003
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Uma nova teoria do envelhecimento poderá ajudar a explicar por que razão muitas espécies, incluindo humanos, vivem muito além dos anos de fertilidade.
 

 

Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que o cuidado que os animais velhos e inférteis dedicam aos mais novos é a razão evolutiva da sua sobrevivência. A investigação, liderada pelo demógrafo Ronald Lee observou essa tendência em todos os mamíferos (principalmente primatas), todas as aves, muitos insectos e alguns peixes.
 

 

A teoria evolutiva clássica do envelhecimento diz que os mais velhos estão mais propensos a morrer porque não têm mais possibilidade de passar os seus genes e, portanto, não teriam nenhuma razão evolutiva para existir. Lee descobriu uma: o facto dos mais velhos contribuem com a sua espécie ao alimentar e tomar conta dos mais novos, o que ele chama de «transferência».
 

 

Ou seja, o mimo dos avós aos seus netos também é importante na evolução e demonstra a utilidade dos mais velhos para a sua espécie. No estudo, Lee desenvolve modelos matemáticos para indicar que as principais teorias evolutivas vigentes não correspondem às taxas de mortalidade humanas observadas em diversos países do globo.
 

Segundo Lee, em muitas espécies os animais mais velhos, fora da idade fértil, cuidam dos filhotes. É o exemplo de várias espécies de golfinho e baleia, de todas as aves e até de alguns insectos e peixes. Mas, entre todos esses animais, os primatas são os que mais dependem da «transferência» de recursos, especialmente o homem e o chimpanzé.
 

 

Para o psicólogo evolutivo Marc Hauser, da Universidade Harvard noa EUA, o estudo é importante «porque muitos antropólogos dizem que os cuidados dos avós pertencem a um traço exclusivamente humano, e não são». Uma das principais implicações da nova teoria tem a ver com a previsão da evolução da expectativa de vida nos países desenvolvidos. Muito se tem falado sobre o crescimento da esperança de vida nos países industrializados, mas, segundo Lee, a vida média das pessoas pode continuar a aumentar, desde que os anos de trabalho também aumentem e possam contribuir com a vida dos mais novos. «Se a vida útil aumentar, se os anos que essa pessoa viver a mais não forem de doença, não vejo problema. E, pelo pouco que temos visto, a taxa de doenças tem caído, tal como a de mortalidade dos idosos.»
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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