Pancreatite crónica: variação genética dita risco

Estudo publicado na “Nature Genetics”

15 novembro 2012
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Investigadores americanos descobriram uma variação genética, localizada no cromossoma X, que dita um maior risco de desenvolvimento de pancreatite crónica nos homens que têm um consumo de álcool elevado, revela um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.
 

“O facto de a pancreatite crónica ter uma base genética responde à questão que tem vindo a ser colocada: por que motivo alguns indivíduos desenvolvem esta doença e outro não?”, referiu em comunicado de imprensa, o líder do estudo, David C. Whitcomb. “Já era do nosso conhecimento que o risco de desenvolvimento de pancreatite nos homens aumentava com o consumo de álcool, mas até à data não se sabia o motivo. A descoberta desta variante no cromossoma X vem também explicar este mistério”, acrescentou o investigador.
 

Neste estudo os investigadores da University of Pittsburgh School of Medicine conjuntamente com 25 centros de saúde dos EUA, acompanharam, ao longo de 10 anos, 2.000 pacientes os quais foram submetidos a testes no ADN. Foi verificada a presença de uma variação genética no cromossoma X em 26% dos homens sem pancreatite. Contudo, esta variação estava presente em cerca de metade dos pacientes diagnosticados com pancreatite crónica alcoólica.
 

Os investigadores explicam que como as mulheres têm dois cromossomas X, as que apresentam esta variante de risco apenas num dos cromossomas parecem estar protegidas da pancreatite crónica alcoólica pelo outro cromossoma. No entanto, como os homens têm um cromossoma X e um Y, caso esta variante seja herdada não há proteção.
 

O estudo refere que a presença desta variante no cromossoma X não parece ser a causadora da pancreatite, mas caso ocorra algum dano é mais provável que a pancreatite crónica se desenvolva, especialmente quando aliada ao alcoolismo. Assim, um dos coautores do estudo, Dhiraj Yadav, aconselha os pacientes com lesões pancreáticas ou com pancreatite aguda a pararem de consumir bebidas alcoólicas imediatamente.
 

Para aos investigadores, os resultados são importantes na medida em que poderão ajudar os médicos a identificar quais os indivíduos com sinais de pancreatite ou ataque de pancreatite aguda que estão em maior risco de desenvolver pancreatite crónica. Desta forma os pacientes poderão ser alvo de uma ação preventiva que diminua o desenvolvimento da doença e que permita que o pâncreas se restabeleça dos danos causados, pois a deterioração do pâncreas só ocorre alguns anos após a pancreatite.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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