Países ocidentais têm mais doentes mentais nas prisões do que nos hospitais

Revela estudo

15 fevereiro 2002
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Nas prisões dos países ocidentais, um em cada sete prisioneiros sofre de depressão ou de psicose e pode não estar a receber os tratamentos adequados devido à falta de equipamentos adequados nas instituições prisionais.
 

 

Segundo explicou Seena Fazel à agência Reuters, psiquiatra e investigador na Universidade de Oxford, se considerarmos o número de prisioneiros em todo o mundo – cerca de 9 milhões – os encargos com as doenças do foro psiquiátrico nas prisões são muito elevados.
 

 

Pelas estimativas de Fazel e John Danesh, publicadas na última edição do The Lancet, nos países ocidentais existem mais doentes psiquiátricos nas prisões do que nos hospitais. Para os investigadores, este facto representa um risco elevado tanto para os outros prisioneiros como para toda a sociedade.
 

 

Segundo os autores do estudo, muitos dos reclusos sofrem de alguma doença mental e esse facto constitui um risco, não apenas de suicídio mas também para a saúde pública, uma vez que se estes doentes não forem tratados antes voltarem à comunidade eles vão continuar doentes. Segundo Fazel e Danesh, os detidos são entre duas a quatro vezes mais propensos a apresentarem um desordem psicológica anti-social do que a população em geral.
 

 

O estudo realizado por Fazel e Danesh baseou-se na revisão de 62 outros estudos, num total de 23 mil prisioneiros de 12 países também revela que as instituições prisionais ocidentais não estão devidamente preparadas para tratar os detidos com doenças do foro psiquiátrico e, por isso, estes países têm de investir nos serviços psiquiátricos das prisões e consideram mesmo que esta é uma questão de interesse público.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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