Pais também ficam grávidos

Livro do pediatra Mário Cordeiro

14 março 2013
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Os futuros pais ficam “grávidos”, sofrendo alterações corporais, hormonais e psicológicas durante os nove meses de gestação, de acordo com o último livro do pediatra Mário Cordeiro.
 

O livro intitulado “Vou Ser Pai” assume-se como um “manual de sobrevivência” para os homens que estão prestes a ter um filho.
 

“O objetivo é os pais saberem o que se passa consigo, em aspetos que têm a ver com a masculinidade, a passagem de ‘miúdo’ para adulto, de filho para pai, a mudança de triângulo pai-mãe-filho, em que eram o vértice ‘filho’, para um novo em que são o vértice ‘pai’”, explica à agência Lusa Mário Cordeiro.
 

Para o pediatra, os homens estiveram muitos milénios afastados de uma parte essencial da sua vida, que é a gestação e conceptualização de um filho.
 

“Até há bem pouco tempo, os pais ‘entravam no filme’ só quando a criança era mais crescida, perdendo, eles e o bebé, um imenso tempo, irrecuperável, de ligação, de criação de laços e envolvimento no crescimento”, explicou o pediatra.
 

Mário Cordeiro define a gravidez para o homem como “um pontapé na morte e a garantia da eternidade”, uma realidade que traz muitas alterações sentimentais e psicológicas.
 

Para o também professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, os homens sofrem também alterações corporais e hormonais durante a gestação de um filho, o que leva o pediatra a afirmar que um pai também fica grávido, insistindo que a expressão deve ser usada mesmo sem aspas.
 

O livro tem uma parte que acompanha a gravidez mês a mês, desenvolvendo o que os pais vão sentindo ao longo das 40 semanas, incluindo aspetos práticos como consultas, ecografias ou análises necessárias durante a gestação. O livro pretende ajudar os homens a entender melhor o que se passa com a mulher, tornando-os mais empáticos nesta fase das suas vida. Para as mulheres, o livro pode servir para compreender o que homem sente: a ambiguidade e ambivalência dos seus sentimentos.
 

“Os homens deixaram, creio e espero que na maioria, de se sentir culpados de gostarem de ser pais, ou de ter de viver a parentalidade e os afetos na clandestinidade. A sociedade reconhece os direitos dos pais e que, para o superior interesse da criança, é necessário pensar que pai e mãe desempenham papéis diferentes, complementares e insubstituíveis.

 

Os pais estão ainda, finalmente, a “recuperar o bem-estar, o prazer de estar em casa e com os filhos”, sem vergonha de mudar fraldas, dar mimo e de mostrar amor, disse Mário Cordeiro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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