Pais superprotetores podem contribuir para a obesidade das crianças

Estudo da Universidade do Porto

24 julho 2012
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Os pais superprotetores e demasiados zelosos podem favorecer a obesidades dos seus filhos, especialmente das meninas, sugere um estudo dos investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
 

No comunicado avançado pela FMUP, os investigadores referem que isto ocorre porque as mães e os pais transmitem às crianças a imagem de um mundo ameaçador, o que lhes causa ansiedade e, consequentemente o aumento dos níveis de uma hormona associada ao stress, o cortisol.
 

De acordo com os especialistas, estes casos de “vinculação insegura” podem levar as crianças, quando sujeitas aos efeitos do stress e cortisol, a procurarem sensações de segurança e confortos básicos, como comer, em vez de, por exemplo, procurarem formas mais evoluídas de segurança, como o conforto emocional junto de alguém.
 

O comunicado refere ainda que estudos anteriores já tinham constatado que as atitudes negligentes dos pais tinham consequências no desenvolvimento emocional dos filhos, sendo o motivo de diversos distúrbios, como a obesidade. Os comportamentos negativos que incluem nomeadamente, depreciação do comportamento das crianças, ameaça de deixar de gostar do filho ou abandonar o lar, que são conhecidos como vinculação insegura, podem-se manifestar através da ansiedade. No entanto, uma atitude superprotetora também poderá influenciar o desenvolvimento da criança.
 

A autora principal do estudo, Inês Pinto, explica que nestes casos, os géneros das crianças tem influência. “Os dados sugerem que, quando existe vinculação insegura, os rapazes tendem a exteriorizar o comportamento tornando-se por exemplo agressivos, mas as meninas parecem internalizar as emoções, comendo.”
 

Como as raparigas apresentam níveis mais elevados de stress, quando sujeitas a dietas para redução de peso, tendem a não ter sucesso, pois a alimentação é uma forma de obterem uma sensação de conforto e segurança. O facto de abdicarem dos alimentos deixa-as tão frustradas que as dietas podem “empurrá-las” para outros comportamentos, como a bulimia. “São casos de alimentação emocional”, referiu a investigadora.
 

Assim, na opinião de Inês Pinto é necessário “alterar as emoções e ensinar a lidar com o stress, através de intervenções psicoterapêuticas que corrijam a relação criança/cuidador. O pais devem procurar ajuda para as meninas com excesso de peso e com uma personalidade introvertida, sobretudo quando a alteração da dieta não surte efeito”.
 

A investigadora refere ainda que os profissionais de saúde têm de perceber quando há sofrimento não visível e reencaminhar a criança ou adolescente para um psiquiatra, quando as abordagens tradicionais falham.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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