Pais que perdem um filho correm risco de morrer mais cedo

Dor e tristeza diminui defesas do sistema imunitário

05 fevereiro 2003
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Os pais que perderam um filho sofrem mais riscos de morrer prematuramente, indica uma pesquisa dinamarquesa publicada pela revista médica britânica «The Lancet».
 

 

Ao longo de um período de mais de 15 anos, entre 1980 a 1996, os cientistas compararam a mortalidade entre 21.062 pessoas que perderam um filho antes dos 18 anos e 293.745 pais que não viveram esta dramática experiência.
 

 

No caso das mães, o risco de morrer nos 18 anos seguintes à morte de um filho supera em 40 por cento o das mães que nunca perderam um filho, observou a equipa dirigida por Jorn Olsen, da Universidade de Aaarhus, Copenhaga.
 

 

Os primeiros anos sucessivos à morte de um filho constituem o período de maior risco, com uma taxa de mortalidade entre as mães em luto que chega quase a quadruplicar.
 

 

Os pais são aparentemente menos afectados. No entanto, foi registrada uma progressão da mortalidade nos três anos que se seguem ao falecimento do filho.
 

 

O risco de morte prematura é ainda mais alto quando o falecimento do filho é inesperado ou de natureza violenta (casos de morte acidental ou suicídio, por exemplo) do que quando é previsível por razões médicas (como as mortes por doenças congénitas, tumores etc), em particular entre as mães.
 

 

O stress psicológico ligado à morte de um filho aumenta o risco de depressão e de acidentes fatais, como também tem repercussões na saúde física da pessoa. A ansiedade vivida nestes momentos de dor afecta o sistema imunitário e o equilíbrio hormonal, o que torna o organismo mais vulnerável ao cancro, doenças cardíacas e outros problemas de saúde a longo prazo.
 

 

«O stress afecta também a maneira de viver. Por exemplo, quando leva a pessoa a aumentar o consumo de álcool ou tabaco, a alterar os costumes alimentares e diminuir o exercício físico, entre outros tantos factores que poderão aumentar os riscos de mortalidade natural ou acidental», acrescentam os autores do estudo.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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