Pais protestam contra possível liberalização da “erva” na Suíça

Opositores temem aumento do consumo de drogas no país

05 maio 2003
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Um grupo de pais protestou na segunda-feira em frente ao Parlamento suíço contra a proposta do governo de descriminalizar a marijuana - uma medida que, segundo eles, transformaria o país numa romaria para os drogados.
 

 

A manifestação, organizada pela Associação Suíça de Pais Contra as Drogas, visa dissuadir os deputados de aprovarem a medida, que já passou pelo Senado. O debate sobre o tema na Câmara está marcado para a próxima quinta-feira.
 

 

Apesar da reputação de tolerância da Suíça, é raro ver pessoas a fumar erva em parques, bares ou discotecas do país. Mesmo assim, o governo quer aprovar uma lei como a holandesa, mais compatível com a ampla aceitação social da droga.
 

 

A proposta é tolerar um certo número de estabelecimentos que possam vender marijuana. Essas lojas já existem -- a erva vem disfarçada de chás, por exemplo -, mas, no entanto, correm o risco constante de verem enceradas as portas pela polícia.
 

 

Os suíços ainda têm fresca na memória quando o país adoptou uma política liberal sobre a heroína, na década passada, o que deu origem ao pesadelo do «Parque da Seringa», uma área ocupada por utilizadores na região central de Zurique. A experiência indicou que a nova descriminalização poderia incentivar o uso de drogas pesadas.
 

 

«Com esta manifestação, as pessoas querem mostrar aos parlamentares e também ao público em geral que essas sugestões (de descriminalizar a erva ) são infelizes e inaceitáveis», disse a associação. «A Suíça tornar-se-ia na meca das drogas da Europa.»
 

 

O governo estima que 500 mil dos 7,3 milhões de suíços sejam consumidores regulares ou eventuais de marijuana. Por isso, as autoridades acham estar na hora da lei se adequar à realidade. Assim, o cultivo e a venda continuariam sendo ilícitas, mas o consumo seria permitido, sob certas condições. «Por exemplo, se não houver venda a menores nem publicidade, quem cultivou e quem vendeu não serão punidos pela polícia e pelos tribunais», explica Maria Saraceni, directora da área da Sida e dependência de drogas no Ministério da Saúde.
 

 

Se a Câmara aprovar a lei, os seus opositores ainda podem tentar submetê-la a referendo. Ainda não se sabe como o governo poderia controlar o consumo e a produção - uma das propostas é um registo anónimo de consumidores, que, então, poderiam comprar quotas mensais de erva. Também haveria um sistema para catalogar produtores e vendedores.
 

 

Mas os adversários da proposta dizem que esta vai incentivar os mais jovens a experimentarem drogas e pode ainda agravar o tráfico ilegal, especialmente se o governo decidir taxar a actividade.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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