Pais podem ensinar crianças a gostar de alimentos saudáveis

Mas a história do «alimento que faz bem» não é a melhor estratégia

09 setembro 2002
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Até a criança mais teimosa e exigente à mesa pode ser ensinada a gostar de todos os tipos de alimentos, desde que seja correctamente incentivada.
 

 

Jane Wardle, psicóloga da University College London, defendeu, durante uma conferência científica na passada segunda-feira que as preferências alimentares não são herdadas e que os pais podem orientar as crianças a provar diferentes tipos de alimentos.
 

 

"Quanto mais cedo o alimento for introduzido, maiores são as hipóteses da criança gostar do mesmo", afirmou ela.
 

 

Normalmente, os bebés começam a ingerir alimentos sólidos entre 4 e 6 meses de idade. Desse modo, se alimentos como os brócolos, os espinafres ou as ervilhas forem dados aos bebés desde essa idade, maiores são as probabilidades deles gostarem desses vegetais quando crescerem.
 

 

Para aquelas crianças que não gostam da aparência de alguns alimentos, Wardle recomenda que eles sejam dados cuidadosamente, na ponta da língua, por exemplo, nos primeiros contactos com esses alimentos
 

 

De acordo com a psicóloga, "São necessárias, pelo menos, dez exposições para fazer com que a criança deixe de não gostar e passe a gostar de um determinado alimento e, normalmente, os pais desistem após duas ou três tentativas para ver se o seu filho gosta de um alimento."
 

 

Se os pais querem que os filhos provem ou comam detrminado alimento, então não devem oferecer uma alternativa. Wardle lembra um exemplo eficaz: uma criança está mais propensa a comer uma maçã se esse é o único alimento disponível, mas provavelmente não a escolheria se uma barra de chocolate também fosse oferecida.
 

 

Esta investigadora realizou estudos sobre a forma como as crianças seleccionam os alimentos e afirma-se absolutamente contra o uso do suborno, defendendo ser uma estratégia que não funciona e que passa uma mensagem negativa à criança.
 

 

Segundo Wardle, a exposição do alimento acompanhada com a promessa de uma recompensa apenas serve para diminuir o efeito da primeira. Em vez disso, os pais devem elogiar a criança por provar novos alimentos e ao mesmo tempo devem utilizar reforços positivos nesses momentos.
 

 

Impacto negativo
 

 

A educação para uma alimentação saudável e para a prática de uma dieta equilibrada deve começar cedo mas a promoção algo exagerada da «mensagem saudável» também tem um impacto negativo.
 

 

Num dos seus estudos, Wardle testou uma nova bebida com crianças em idade escolar e verificou que as que foram previamente informadas que aquela bebida era saudável eram menos propensas a dizer que gostavam da mesma e a pedir aos pais que a comprassem. Pelo contrário, as crianças que não foram informadas que a bebida fazia bem, pediam aos pais para a comprarem e mostraram-se muito receptivos ao seu sabor.
 

 

Segundo a psicóloga, «as crianças aprendem que os pais só recorrem a uma história de saúde quando sabem que elas não querem comer o alimento e, portanto, isso tem um impacto negativo.»
 

 

 

MNI – Médicos Na Internet
 

Fonte: Reuters

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