Pais não devem fumar para proteger saúde cardiovascular dos seus filhos

Estudo publicado pelo jornal “Circulation”, da Associação Americana de Cardiologia

26 março 2015
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É senso comum que o tabaco faz mal à saúde e que as crianças não devem ser expostas ao fumo do tabaco. Mas um estudo publicado pelo jornal “Circulation” da Associação Americana de Cardiologia surge como mais uma forte evidência dos prejuízos do tabaco para a saúde a longo prazo, revelando que as crianças que têm pais fumadores, sendo elas próprias fumadoras passivas, têm mais risco de vir a desenvolver doenças cardíacas na idade adulta.
 
Os investigadores – liderados por Costan Magnussen, principal autor do estudo e investigador do Instituto Menzies de Investigação Médica da Universidade da Tasmânia, na Austrália – pretendiam perceber os efeitos duradouros da exposição passiva ao fumo nas crianças, e decidiram acompanhar os participantes do Estudo de Risco Cardiovascular em Jovens Finlandeses, que incluíam crianças que tinham estado expostas ao fumo do tabaco dos pais entre 1980 e 1983. Em 2001 e 2007, quando estas crianças atingiram a idade adulta, foram submetidas a ecografias da carótida. E, mais tarde, em 2014, os investigadores mediram os níveis de cotinina no sangue – um biomarcador da exposição ao fumo passivo – com base em amostras colhidas e congeladas em 1980.
 
Ainda que não seja possível garantir que o nível de cotinina detectável no sangue das crianças tenha sido resultado da exposição passiva ao fumo dos seus pais, podemos assumir que foi a fonte primária.
 
Os resultados mostraram que a percentagem de crianças que apresentavam níveis não detetáveis de cotinina era mais elevada nos lares em que nenhum dos pais era fumador (84%), diminuía se apenas um dos pais fumasse (64%) e era ainda menor se ambos os pais fumassem (43%). 
 
Outra conclusão a que chegaram é que, independentemente de outros fatores, o risco de desenvolvimento de placa de carótida (acumulação de gordura nas paredes das artérias que irrigam o cérebro) na fase adulta foi 1,7 vezes superior em crianças expostas a um ou dois pais fumadores em relação a filhos de pais que não fumam. Para além disso, o risco era 1,6 vezes superior em crianças cujos pais fumavam, mas pareciam limitar a exposição dos filhos, e quatro vezes superior nos jovens cujos pais fumavam, mas não limitavam a exposição das crianças.
 
Portanto, este estudo vem reforçar a ideia de que ninguém deve fumar, especialmente aqueles que têm filhos. Não fumar é um ótimo contributo para garantir uma melhor saúde cardiovascular a longo prazo para os nossos descendentes. E os autores deixam também um conselho para todos os pais que fumam ou que estão a tentar deixar de fumar: que tentem reduzir ao máximo a exposição ao fumo dos seus filhos, não fumando dentro de casa nem no carro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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