Pais e bebés devem ser ajudados

Pediatria incapaz de lidar com sociedade moderna

29 setembro 2003
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A pediatria actual não está a atingir os seus objectivos e não consegue enfrentar os novos problemas da sociedade como a droga, as desordens alimentares ou a gravidez na adolescência. A ideia foi ontem defendida pelo norte-americano Barry Brazelton, considerado o pai da pediatria moderna, numa sessão pública inserida no II curso intensivo em Touchpoints, na aula magna da Faculdade de Medicina, em Lisboa.
 

 

Para este especialista, tem que haver uma mudança de mentalidades na classe médica, substituindo um modelo muito centrada no diagnóstico e na doença por uma nova atitude cujo ponto central é a relação. «O problema é que as escolas de medicina não querem mudar e este processo demorará uma década», sublinhou. A teoria dos touchpoints criada por Brazelton diz que há momentos críticos e previsíveis no desenvolvimento das crianças durante os quais estas se desorganizam, têm cólicas, falta de apetite ou dificuldades em dormir.
 

 

Nestes períodos, os pediatras devem assumir um papel chave de ajuda aos pais. Para Barry Brazelton, o próximo touchpoint passa pelo acompanhamento permanente das crianças e das mães nas suas casas. Isto porque, alertou, por falta de apoio no internamento pós-parto, a depressão materna está a aumentar e a afectar seriamente os bebés. «Os pais sofrem enormes pressões e não têm recebido o apoio que merecem», defendeu.
 

 

«A nova atitude pediátrica deve ser uma viagem sem mapa de descoberta personalizada de cada bebé», explicou Gomes Pedro, o director da Clínica Universitária de Pediatria. «Nesta viagem partilhada por pais e clínicos, o único pressuposto é que o recém-nascido é um ser extraordinariamente competente e único». A dimensão interactiva com a criança e o entendimento da sua linguagem deve ser, por isso, central na actividade clínica.
 

 

Leia tudo no: Diário de Notícias
 

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