Padrões de substância branca podem prever desenvolvimento cognitivo no início da infância

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

28 dezembro 2016
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Padrões de substância branca identificados no cérebro à nascença poderão prever a função cognitiva de crianças aos um e dois anos de idade, revela um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
“Tanto quanto sabemos, este é o primeiro estudo a medir e a descrever o desenvolvimento de microestruturas de substância branca em crianças e a sua relação com o desenvolvimento cognitivo desde o momento em que nascem até aos dois anos de idade”, afirma John H. Gilmore, autor sénior do estudo, em comunicado divulgado pela Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA.
 
A substância branca é um tipo de tecido cerebral responsável por interligar neurónios de diferentes áreas do cérebro. Embora este tecido desempenhe um papel fundamental na função cerebral, pouco se sabe sobre o seu desenvolvimento ou como se relaciona com o desenvolvimento cognitivo no início da infância.
 
Neste estudo, participaram 685 crianças, que foram submetidas a exames de imagem por tensor de difusão (DTI, sigla inglesa), uma técnica que descreve a difusão de água num tecido e que consegue identificar tratos de matéria branca no cérebro, assim como a organização deste tipo de tecido e sua maturação.
 
Os cientistas da universidade americana procuraram investigar a microestrutura de 12 tratos de fibra de substância branca considerados importantes para a função cognitiva, a sua relação com o desenvolvimento cognitivo e hereditariedade. 
 
Os investigadores descobriram que todos os tratos se encontravam altamente relacionados entre si, nos cérebros de recém-nascidos. Por volta de um ano de idade, estes tratos começaram a diferenciar-se e, por volta dos dois, esta diferenciação era ainda mais marcada. O estudo revelou ainda que a relação entre tratos de substância branca à nascença era capaz de prever o desenvolvimento cognitivo ao um ano de idade e o desenvolvimento linguístico aos dois. Tal parece indicar, de acordo com a nota da universidade, que poderá ser possível usar técnicas imagiológicas para compreender o desenvolvimento cognitivo da criança nos primeiros anos de vida.
 
Além disso, visto que a amostra incluiu 429 gémeos, os cientistas foram ainda capazes de calcular que esta característica era moderadamente hereditária, sugerindo que a genética poderá estar envolvida neste processo.
 
Ao compreender melhor o desenvolvimento da estrutura cerebral, da função cognitiva e comportamental no início da infância e como estes estão relacionados, os cientistas esperam um dia conseguir identificar precocemente crianças em risco de desenvolverem problemas cognitivos ou psiquiátricos, e delinearem intervenções capazes de ajudar o cérebro a desenvolver-se de determinada forma para melhorar a sua função e reduzir esse risco.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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