Padrão de expressão genética distingue infeções virais das bacterianas

Estudo publicado na revista “Immunity”

23 dezembro 2015
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Investigadores americanos identificaram um padrão de expressão genética que distingue os indivíduos infetados com uma infeção provocada por um vírus daqueles com uma infeção bacteriana. O estudo publicado na revista “Immunity” dá ainda conta de um segundo padrão genético que distingue a infeção provocada pelo vírus da gripe de outras infeções respiratórias.
 
Quando as agentes patogénicos infetam as células do organismo, a infeção desencadeia reações em cadeia que envolvem o sistema imunológico e a alteração da expressão de centenas de genes.
 
Neste estudo os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, identificaram 396 genes humanos cuja expressão é alterada num padrão consistente, revelando a presença de uma infeção viral. Verificou-se que havia um aumento da expressão de 161 genes e uma diminuição da expressão de 235 genes.
 
Este padrão de alterações ocorre numa vasta gama de vírus, incluindo coronovírus, enterovírus adenovírus e é distinto do padrão de expressão genética de um indivíduo saudável ou daqueles infetados com bactérias como, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Desta forma, este padrão genético poderá ser utilizado clinicamente para distinguir uma infeção viral de uma bacteriana e determinar se deverá ser prescrito um antibiótico.
 
O padrão de expressão genética não só identifica os indivíduos com uma infeção viral ativa como aqueles que ainda estão a incubá-la. Através do estudo de amostras de sangue, recolhidas a cada oito horas, os investigadores constataram que o padrão de expressão genética dá um sinal de alerta nas 24 horas que antecedem os primeiros sintomas.
 
“A assinatura genética fica alterada antes das pessoas ficarem doentes, desta forma podemos prever com 24 horas de antecedência quem vai apresentar sintomas”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Purvesh Khatri. 
 
Os investigadores descreveram ainda um segundo padrão de expressão genética que indica quando um indivíduo está especificamente infetado com o vírus da gripe. Este segundo padrão consiste na alteração da expressão de apenas 11 genes humanos. Na opinião dos investigadores estes resultados poderão também ajudar a determinar se um indivíduo está a responder à vacinação. 
 
“O objetivo da vacinação é gerar a mesma resposta imunológica sem sintomas. Se a resposta ao vírus da gripe é específica deveríamos ver a mesma resposta na vacinação”, disse o investigador.
 
De facto em três estudos independentes que envolveram indivíduos vacinados contra a gripe, os investigadores verificaram que estes apresentavam alterações na expressão dos mesmos 11 genes. 
 
“Identificámos uma assinatura comum que liga a infeção à vacinação”, conclui Purvesh Khatri.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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