Pacientes em estado vegetativo prestam atenção ao mundo exterior

Estudo publicado na revista “Neuroimage: Clinical”

04 novembro 2013
  |  Partilhar:

Os indivíduos que se encontram em estado vegetativo, incapazes de se mover ou falar, são capazes de prestar atenção aos sons que os rodeiam, sugere um estudo publicado na revista “Neuroimage: Clinical”.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de 21 indivíduos em estado vegetativo ou que apenas tinham um nível de consciência mínimo, e oito indivíduos saudáveis. Os participantes ouviram uma série de palavras diferentes, uma a cada 90 segundos, sendo lhes pedido para prestar atenção às palavras “sim” e “não”, aparecendo cada uma 15% das vezes. Este exercício foi repetido várias vezes ao longo de 30 minutos, de forma a averiguar se os pacientes eram capazes de prestar atenção à palavra que lhes era solicitada.
 

Os investigadores constataram que um dos pacientes em estado vegetativo foi capaz de filtrar informações importantes e prestar atenção às palavras solicitadas. Através de imagens de ressonância magnética foi possível constatar que este paciente era capaz de seguir comandos simples, imaginando que estava a jogar ténis. O estudo também apurou que outros três pacientes com níveis de consciência mínima reagiram a palavras novas, mas irrelevantes, sendo no entanto incapazes de prestar atenção de uma forma seletiva às palavras alvo.
 

Estes resultados sugerem que os indivíduos em estado vegetativo, ou com uma consciência mínima, têm de facto a capacidade de prestar atenção aos sons presentes no mundo que os rodeia.
 

“Não só constatamos que o paciente teve a capacidade de prestar atenção, como também observamos que era capaz de seguir comandos, informação esta que pode permitir o desenvolvimento de uma futura tecnologia capaz de ajudar estes pacientes a comunicar com o mundo exterior”, disse, um dos autores do estudo, Srivas Chennu.
 

“De forma a tentar e aceder ao verdadeiro nível de função cerebral e de atenção, que sobrevive ao estado vegetativo e de consciência mínima, estamos progressivamente a construir uma imagem mais completa das capacidades sensoriais, de perceção e cognitivas destes pacientes. Este estudo forneceu mais uma peça importante para este puzzle complexo”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.