Pacientes com VIH poderão estar curados após transplante de medula óssea

Estudo do Brigham and Women’s Hospital

03 agosto 2012
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Dois pacientes infetados com VIH deixaram de apresentar qualquer vestígio do vírus após terem sido submetidos a um transplante de medula óssea para o tratamento de cancro, revelaram os investigadores que conduziram um estudo na Brigham and Women’s Hospital em Boston, EUA.
 

Os investigadores suspeitam que o tratamento antirretroviral, juntamente com o transplante de medula óssea, poderá ter provocado estes resultados surpreendentes oito meses após o transplante. Os pacientes tinham também sido submetidos a quimioterapia para tratarem uma leucemia antes de receberem os transplantes de células estaminais. Um dos homens recebeu o transplante há dois anos e o outro há quatro. Ambos desenvolveram também a doença do enxerto-contra-hospedeiro (quando as células transplantadas atacam as células recetoras), tendo continuado a tomar a medicação antirretroviral durante e após os procedimentos de transplante.
 

O investigador líder neste estudo, o Dr. Daniel Kuritzkes, diretor de doenças infectocontagiosas do Brigham and Women’s Hospital, EUA, e docente de medicina na Harvard Medical School em Boston, EUA, afirma que “acreditamos que as células transplantadas mataram e substituíram os linfócitos do próprio paciente, incluindo as células infetadas, e que as células do dador ficaram protegidas da infeção devido à terapia antirretroviral que continuaram a seguir durante o período de transplante”. O investigador defende ainda que a doença do enxerto-contra-hospedeiro terá também desempenhado algum papel neste processo.
 

Verifica-se frequentemente que pacientes com VIH que recebem terapia antirretroviral deixam de apresentar partículas virais no sangue. No entanto, este continua latente nos linfócitos e pode ser reativado se o tratamento for descontinuado. Os pesquisadores acreditam que a não existência de vestígios de VIH nos linfócitos parece indicar que este reservatório de VIH latente tenha sido eliminado. No entanto, estão longe de afirmar que estes pacientes possam estar curados.
 

Segundo a Dra. Savita Pahwa, diretora do AIDS Research da University of Miami Miller School of Medicine, esta descoberta é “empolgante”. A médica, que não esteve ligada a este estudo, defende que “a eliminação do reservatório constitui a chave para a cura”, sublinhando que só será possível considerar esses pacientes como “funcionalmente curados” se o vírus não reaparecer após terem deixado o tratamento antirretroviral.
 

Mas a única forma de se saber se o transplante e a terapia antirretroviral conseguem erradicar o VIH será fazer com que os pacientes deixem de tomar medicação.
 

O Dr. Kuritzkes e os colegas vão continuar a seguir pacientes seropositivos que tenham tido um transplante de medula para um estudo mais alargado.
 

Os resultados deste estudo devem ser considerados preliminares, já que o mesmo não foi revisto nem publicado ainda em jornal científico.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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