Pacientes com paralisia conseguem controlar braço robótico

Estudo publicado na revista “Nature”

21 maio 2012
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Uma mulher tetraplégica foi capaz de agarrar e beber uma chávena de café, pela primeira vez em 15 anos, através da utilização de um braço robótico controlado diretamente através da atividade cerebral, dá conta um estudo publicado na “Nature”.

 

Este estudo que contou com a participação de investigadores do Department of Veterans Affairs, Brown University, Massachusetts General Hospital, Harvard Medical School, e do German Aerospace Center descreve como um mulher de 58 anos (S3) e como um homem de 66 anos (T2), que tinham sofrido um acidente vascular cerebral que os tinham deixado sem capacidade de controlar os seus membros, aprenderam a utilizar um sistema de interface neuronal, denominado por Braingate, para alcançar e agarrar objetos com o auxílio de braços robóticos.

 

Este dispositivo experimental, do tamanho de um pequeno comprimido, contém 96 elétrodos e foi implantado numa zona do cérebro envolvida no movimento voluntário, o córtex motor. Os elétrodos encontram-se suficientemente perto dos neurónios dos indivíduos para gravar a atividade neuronal associada à intenção dos movimentos. Um computador externo traduz o padrão de impulsos produzidos pelos neurónios para que os braços robóticos consigam executar o movimento pretendido.

 

Estudos anteriores realizados com o sistema Braingate já tinham conseguido controlar dispositivos robóticos em duas dimensões, como controlar um rato de computador ou premir um cursor num ecrã. Mas este estudo é o primeiro a demonstrar como é que indivíduos tetraplégicos conseguem utilizar sinais cerebrais para controlar um braço robótico num espaço tridimensional para realizar tarefas que habitualmente eram realizadas pelos seus braços.

 

“O objetivo do nosso estudo foi desenvolver uma tecnologia capaz de restabelecer a independência e a mobilidade dos indivíduos com paralisia ou perda dos membros. Ainda temos muito trabalho pela frente, mas os avanços animadores destas investigações são demonstrados não só pelo sucesso da experiência, mas ainda mais pelo sorriso de S3 quando conseguiu tomar um café sozinha pela primeira vez em quase 15 anos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Leigh Hochberg.

 

“Este artigo é um grande avanço dado que foi rigorosamente demonstrado, em mais do que um participante, que o controlo neuronal tridimensional de braços mecânicos não é só possível como também repetível. “Aproximámo-nos significativamente da recuperação das capacidades necessárias para a realização de tarefas diárias, como tomar café, realizado geralmente sem esforço pelo braço e mão, para as pessoas incapazes de mover os seus membros. Foi dado um passo fundamental para o desenvolvimento, a longo prazo, de neurotecnologia que irá restaurar o movimento, controlo e a independência dos indivíduos com paralisia ou perda de membros”, acrescentou ainda um dos autores do estudo, John Donoghue.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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