Pacientes com Alzheimer: por que motivo têm menor risco de cancro?

Estudo publicado na revista “PLOS Genetics”

25 fevereiro 2014
  |  Partilhar:

Investigadores espanhóis descobriram por que motivo os indivíduos que sofrem de doenças do sistema nervoso central, como a doença de Alzheimer, doença de Parkinson e esquizofrenia apresentam um menor risco de desenvolverem cancro, refere um estudo publicado na revista “PLOS Genetics”.

 

Estudos anteriores demonstraram que por exemplo a doença de Alzheimer reduz o risco de cancro em mais de 50%. A comunidade científica tem desenvolvido várias teorias para tentar explicar esta associação entre doenças tão distintas, mas os resultados apurados não eram suficientemente sólidos. Assim, de forma a tentar encontrar uma explicação para esta associação, os investigadores do Centro Nacional de Investigações Oncológicas, em Espanha, compararam os dados genéticos, provenientes de 30 estudos diferentes, de 1.700 indivíduos que tinham doenças do sistema nervoso central e cancro.

 

O estudo apurou que a relação entre as doenças poderá ser explicada por quase 100 genes. Foi constatado que 74 genes que eram menos ativos no sistema nervoso central eram mais ativos no cancro. Por outro lado, 19 genes que eram mais ativos no sistema nervosos central eram menos ativos no cancro.

 

“A atividade inversa destes genes poderá explicar por que motivo os pacientes com doenças do sistema nervoso central apresentam um menor risco de cancro”, revelaram, em comunicado de imprensa, os autores do estudo.

 

“Cerca 90% dos processos biológicos que parecem estar aumentados no cancro estão reprimidos nas doenças do sistema nervoso central”, referiram os investigadores César Boullosa e Kristina Ibáñez.

 

Estes resultados também demonstraram que a regulação global da atividade celular pode ter um efeito protetor nas doenças com comorbilidade inversa.

 

Os investigadores acrescentam que esta associação genética entre as doenças poderá abrir a porta para a utilização de fármacos antineoplásicos para o tratamento de doenças de doenças do sistema nervoso central, bem como o contrário. Um dos exemplos é o bexaroteno, um fármaco antineoplásico que já mostrou ter efeitos benéficos no tratamento da doença de Alzheimer, em ratinhos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.