Pacemakers podem ajudar a identificar fibrilhação auricular

Estudo apresentado na Acute Cardiovascular Care 2015

30 outubro 2015
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Pacemakers podem ajudar a detetar casos assintomáticos de fibrilhação auricular, permitindo desta forma o início atempado da toma de anticoagulantes para a prevenção de AVC, revela um estudo britânico apresentado no congresso “Acute Cardiovascular Care 2015”, promovido pela Associação Europeia de Cardiologia (AEC).
 
“A fibrilhação auricular (FA) é a doença do ritmo cardíaco mais comum e afeta 1,5 – 2% da população no mundo desenvolvido”, revela Nathan Denham, cardiologista no Hospital Warrington, no Reino Unido, e líder do estudo. “A FA aumenta o risco de AVC em cinco vezes. Além disso, pessoas que sofrem um AVC devido a FA apresentam maior risco de morte ou de incapacidade decorrente do AVC”.
 
Contudo, o risco de AVC em doentes com FA pode ser reduzido em cerca de dois terços com medicação anticoagulante, explica Denham em comunicado.
 
Este especialista estima que cerca de um terço dos pacientes com FA não apresentem qualquer sintoma e, portanto, não saibam que se encontram em risco elevado de AVC.
 
No estudo participaram 223 doentes com pacemaker que foram monitorizados ao longo de cinco anos e a quem não tinha sido diagnosticado FA antes da implantação do aparelho. Periodicamente os doentes foram consultados para avaliar o estado da bateria do pacemaker, assim como para recolher outras informações. Os investigadores analisaram os dados que indicaram quantos pacientes tinham FA e quantos tinham episódios de FA e depois regressavam a um ritmo cardíaco normal.
 
Nos pacientes com FA, os cientistas calcularam o risco de AVC através da escala CHA2SDS2-VASc para calcular quantos deveriam estar a tomar medicação anticoagulante para evitar AVC (pacientes com pontuação igual ou superior a 2).
 
Durante o período de acompanhamento, 36 pacientes apresentaram pelo menos um episódio de FA detetado, 27 dos quais foram identificados com FA durante uma verificação de rotina ao pacemaker (12% da população estudada). Um terço dos 27 pacientes tinha recebido um pacemaker para a doença do nódulo sinusal, que se encontra associada a FA, e dois terços a bloqueio atrioventricular. De acordo com os resultados da avaliação CHA2SDS2-VASc, praticamente todos os 27 doentes – exceto um – necessitavam de medicação anticoagulante para evitar um AVC.
 
“A percentagem de pacientes com pacemaker que apresentavam FA não diagnosticado era maior do que o esperado”, referiu Denham. “As verificações aos pacemakers são simples de realizar e o nosso estudo demonstra que vale a pena utilizar estes aparelhos para identificar pacientes em risco”, acrescentou o especialista.
 
O tempo médio entre a verificação do pacemaker e o diagnóstico de FA foi de seis meses, tendo apenas um terço dos pacientes demorado 12 meses.
 
“Os pacemakers de pacientes estáveis são verificados a cada 12 meses, mas os nossos resultados defendem uma monitorização mais frequente para a deteção de FA. Caso contrário, os pacientes poderão apresentar um risco aumentado de AVC e encontrar-se desprotegidos”, sugeriu.
 
“Um terço das pessoas com FA não sabem que a têm, por isso precisamos de usar todos os meios disponíveis para identificar estes casos. O nosso estudo sugere que as verificações ao pacemaker são uma boa forma de identificar novos casos de FA de forma que a medicação anticoagulante possa ser iniciada para evitar AVC”, concluiu.
 
No futuro, Denham considera que a monitorização remota poderia permitir realizar a verificação a um pacemaker de forma mais frequente sem a necessidade de os pacientes se deslocarem ao hospital. “Apesar de não o podermos concluir a partir do nosso estudo, o custo da telemonitorização poderia ser compensado pelas poupanças realizadas pela prevenção de AVC”, explicou o médico.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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