Oxitocina: como aumenta o prazer das interações sociais?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

29 outubro 2015
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A hormona oxitocina, também conhecida por hormona do amor, pode aumentar o prazer da interações sociais através da estimulação da produção de neurotransmissores semelhantes aos da marijuana no cérebro, atesta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, estabelecem, pela primeira vez, a ligação entre a oxitocina e a anandamida, também denominada por molécula da felicidade devido ao seu papel na ativação dos recetores canabinóides nas células cerebrais que aumentam a motivação e felicidade.
 
De forma a investigar o papel da anandamida no contacto social, os investigadores mediram os níveis deste neurotransmissor em ratinhos que tinham sido isolados ou que lhes foi permitido estarem em contacto com outros animais.
 
A anandamida pertence a uma classe de produtos químicos que ocorrem naturalmente no organismo conhecidos por endocanabinóides que se ligam aos mesmos recetores celulares do cérebro que a substância ativa da marijuana, conduzindo a resultados semelhantes.
 
O estudo apurou que o contacto social aumentava a produção da anandamida numa estrutura do cérebro conhecida por núcleo accumbens, que ativa os recetores canabinóides para reforçar o prazer da socialização. Quando estes recetores foram bloqueados este reforço desapareceu.
 
Posteriormente os investigadores decidiram avaliar uma possível associação entre a anandamida e a oxitocina, conhecida pelo papel na promoção do contacto social. Esta hormona é produzida por um pequeno número de neurónios e é utilizada como um neurotransmissor.
 
Quando os investigadores estimularam estes neurónios, observou-se um aumento na produção de anandamida no núcleo accumbens. Adicionalmente, verificou-se que o bloqueio do efeito da anandamida também bloqueava os efeitos pró-sociais da oxitocina, o que sugere que esta hormona reforça as ligações sociais através da produção da anandamida.
 
O estudo apurou também que a interrupção da degradação da anandamida aumentava o prazer do contacto social. Os animais tratados com um fármaco que parava a degradação da anandamida comportavam-se de forma semelhante aos que interagiam com outros ratinhos.
 
A oxitocina é também conhecida por hormona do abraço e molécula moral, devido aos efeitos no comportamento, incluindo o papel no amor e funções reprodutivas femininas. Em 2011 investigadores holandeses constataram que a oxitocina torna as pessoas mais extrovertidas, e recentemente esta molécula está a ser investigada como um possível tratamento dos sintomas do autismo.
 
“Os nossos resultados abrem a possibilidade para que os fármacos que bloqueiam a degradação da anandamida, que atualmente estão a ser testadas em vários distúrbios de ansiedade, possam dar um impulso à própria oxitocina e ajudar as pessoas com autismo a socializarem mais", conclui o líder do estudo, Daniele Piomelli.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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