Óvulos são acordados por despertador molecular?

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

22 agosto 2016
  |  Partilhar:

No início da vida reprodutora, um ovário contém em média milhares de óvulos imaturos, num estado de repouso que pode durar várias décadas. Investigadores portugueses e americanos descobriram um “despertador” molecular que informa os óvulos em repouso que chegou a altura de acordarem. Defeitos neste despertador pode resultar em problemas na fertilidade feminina, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Ao longo do período de repouso, os óvulos desligam os seus genes de forma a entrarem num estado semelhante à hibernação. Quando despertam, necessitam de ativar os genes para poderem crescer e preparar-se para a ovulação.
 

Neste estudo os investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, da Universidade do Algarve, em Portugal e da Universidade de Albany, nos EUA, descobriram que a altura em que os genes são ativados é programada diretamente nos cromossomas do óvulo.
 

De forma a descobrir este mecanismo, a equipa liderada por Rui Martinho, realizou várias experiências genéticas em moscas da fruta, a Drosophila melanogaster.
 

Paulo Navarro-Costa, um dos autores do estudo, explica que tal como acontece nos seres humanos, os óvulos da mosca da fruta têm um período de repouso durante a meiose ou seja o processo de divisão celular necessário para a formação de células reprodutoras saudáveis. Desta forma, os investigadores utilizaram este organismo que é fácil de manusear para descobrir exatamente como o óvulo consegue ativar os seus genes na altura certa.
 

O estudo apurou que os óvulos utilizam um processo semelhante a um despertador para manterem a noção do tempo durante a meiose. Rui Martinho explicou, em comunicado de imprensa, que “quando os óvulos começam a ser formados, uma proteína denominada por dKDM5 modifica os cromossomas de modo a que estes só consigam ativar os genes na altura certa. Se este despertador molecular for programado de forma incorreta, por exemplo devido a defeitos na proteína dKDM5, as fêmeas tornam-se inférteis porque os seus óvulos não conseguem completar a meiose”.
 

Uma propriedade inesperada deste novo despertador molecular consiste no facto de ser programado em fases iniciais da formação dos óvulos, muito antes de estas células necessitarem de acordar. De acordo com Paulo Navarro-Costa, estes achados demonstram a importância das fases iniciais da vida do óvulo para a fertilidade feminina.

 

“No caso dos seres humanos, essas fases iniciais ocorrem antes das mulheres nascerem, quando ainda estão no útero da mãe. O período de desenvolvimento pré-natal é assim absolutamente determinante para a futura formação de células reprodutoras saudáveis", concluiu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.