Otites e infeções pulmonares crónicas: o papel dos biofilmes

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

15 julho 2014
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Investigadores americanos descobriram a ligação entre antibióticos e a formação de biofilmes bacterianos que conduzem à doença pulmonar crónica, sugere um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 

De acordo com o líder do estudo, Paul Webster, este estudo tem por alvo uma questão já antiga que envolve as infeções crónicas dos ouvidos e ainda por que motivo algumas crianças sofrem repetidamente deste tipo de infeções, mesmo após o tratamento com antibiótico. “Uma vez o biofilme formado, este fica mais forte a cada tratamento com antibiótico”, referiu, o investigador.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade do Sul da Califórnia e do Instituto de Ciência Oak Crest, nos EUA, expuseram a bactéria Haemophilus influenzae não tipificável a doses não letais de ampicilina, um antibiótico habitualmente utilizado no tratamento de doenças respiratórias, sinusite e infeções de ouvidos, ou a outros antibióticos beta-lactâmicos.
 

A dose de antibiótico utilizada não era suficiente para matar a bactéria, permitindo que esta reagisse com o antibiótico através da produção de glicogénio, um açúcar complexo frequentemente utilizado pela bactéria como fonte de alimento para produzir biofilmes.
 

Os biofilmes são comunidades altamente estruturadas de microrganismos que se ligam uns aos outros, bem como às superfícies, formando uma camada polisacarídica, viscosa e altamente protetora. Quando é administrado um antibiótico produtor de glicogénio, os biofilmes têm uma fonte de alimento sem fim que pode ser utilizada após a exposição ao antibiótico ter sido finalizada.
 

Atualmente não existe nenhum tratamento para as infeções associadas aos biofilmes, o que torna estas estruturas cada vez mais difíceis de tratar e consequentemente as infeções crónicas mais severas. Assim, os adultos irão sofrer de infeções pulmonares prolongadas e as crianças de infeções de ouvidos repetidas.
 

Apesar de habitualmente se associar a resistência a antibióticos ao facto de uma determinada infeção não ser eliminada, esta persistência da infeção pode ser causada pela formação de biofilmes.
 

Na opinião de Paul Webster, a medicina moderna necessita de encontrar formas de detetar e tratar os biofilmes antes de as bactérias serem capazes de formas estas estruturas protetoras. As dificuldades de tratamento deste tipo de infeções, que podem ser 1000 vezes maior que aquelas resistentes aos antibióticos, levou alguns médicos a propor uma mudança gradual dos tratamentos com antibióticos para terapias que não envolvam este tipo de fármacos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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