Otite serosa: tratamento não invasivo evita cirurgia

Dispositivo criado por médico do Centro Hospitalar do Algarve

13 fevereiro 2014
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Um médico do Centro Hospitalar do Algarve criou um tratamento não invasivo para a otite serosa com recurso a um dispositivo acoplado a um boneco de peluche. Este tratamento está a permitir que dezenas de crianças, no Algarve, sejam retiradas das listas de espera para cirurgia.
 

Armin Bidarian Moniri referiu à agência Lusa que desde o início dos estudos, no serviço de Otorrinolaringologia do hospital de Portimão, entre 2010 e 2011, já houve cerca de uma centena de crianças que evitaram a cirurgia.
 

"A maior parte destas crianças ficam a ouvir melhor apenas passadas duas a quatro semanas de tratamento", disse explicando que o tratamento é baseado em manobras também usadas por pilotos e mergulhadores, como exalar forçadamente com a boca fechada e o nariz tapado.
 

O dispositivo é composto por uma máscara com um tubo acoplados a um boneco de peluche, que tem um balão que se enche de ar quando se tenta expirar e ainda uma bomba, que pode ser acionada por um adulto se a criança ainda for demasiado pequena para conseguir soprar.
 

O médico explicou que a diferença entre a otite aguda e a otite serosa é que esta última é assintomática, habitualmente não causa febre e caracteriza-se pela presença de líquido no ouvido, o que pode causar dificuldades de audição, muitas vezes difíceis de detetar pelos pais.
 

"A membrana timpânica tem que ter mobilidade normal para termos audição normal e o líquido lá dentro impede este movimento normal e a criança fica com falta de audição", observou.
 

Apesar de a cirurgia ser relativamente simples, implica sempre anestesia geral e ainda o risco de perfuração permanente da membrana timpânica, o que pode obrigar a nova cirurgia.
 

A mãe de uma menina de quatro anos revelou à agência Lusa que a Leonor começou a ter otites desde cedo e mais tarde começou a ter dificuldades em ouvir.
 

"Nós estávamos à espera que ela fosse mais velha para ser submetida a uma cirurgia", explicou a mãe da menina, que tinha muitas reservas em que a Leonor fosse operada e ficou radiante pelo facto de os tratamentos terem resultado.
 

No início, o tratamento era feito diariamente, mas era fácil e resultou bem porque "é quase um brinquedo para eles, torna-se um jogo", concluiu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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