Otite: encurtar tempo de tratamento com antibiótico não é benéfico

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

29 dezembro 2016
  |  Partilhar:
Investigadores americanos demonstraram que encurtar o tempo de tratamento com antibiótico em crianças entre os nove e 23 meses que sofrem de otite não tem qualquer benefício, dá conta um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 
A otite média aguda é uma infeção bacteriana que atinge o ouvido médio, o que faz com que este fique dolorosamente inflamado. No primeiro ano de vida, três em cada quatro crianças são afetadas por esta infeção. Na verdade este é o motivo mais comum pelo qual os pediatras prescrevem antibióticos
 
Tendo em conta a preocupação existente em torno da toma excessiva de antibiótico, bem como relativamente ao aumento da resistência aos antibióticos, os investigadores da Universidade de Pitsburgo, nos EUA, decidiram averiguar se a redução do curso do tratamento seria igualmente eficaz e se diminuía a resistência ao antibiótico bem como conduzia a um menor número de reações adversas.
 
Para o estudo, os investigadores, liderados por Nader Shaikh, contaram com a participação de 520 crianças com otite média as quais tomaram amoxicilina e ácido clavulânico ao longo de 10 dias (tratamento padrão) ou foram tratadas com este antibiótico ao longo de apenas cinco dias e mais cinco de um placebo. 
 
As crianças foram acompanhadas desde o início de outubro e ao longo da restante temporada anual de infeções respiratórias. A última consulta ocorreu em setembro do ano seguinte.
 
O estudo apurou que o risco de o tratamento não ser eficaz no grupo que apenas tomou o antibiótico ao longo de cinco dias foi mais do dobro comparativamente com o grupo tratado ao longo de 10 dias, 34 contra 16%. Por outro lado, os investigadores verificaram que a presença de bactérias resistentes aos antibióticos na nasofaringe não diminui no grupo que tomou antibiótico ao longo de cinco dias. Adicionalmente, observou-se que a redução da duração do tratamento não diminui o risco de reações adversos, nomeadamente diarreia ou dermatite da fralda.
 
Quando testaram o risco de uma infeção recorrente, os cientistas descobriram que este era maior quando as crianças tinham mantido contacto com três ou mais crianças ao longo de dez ou mais horas por semana, como acontece numa creche, ou se a infeção inicial tivesse afetado os dois ouvidos.
 
O estudo apurou, pela primeira vez, que quase uma em cada duas crianças em que fluido residual foi observado no ouvido média após o tratamento teve uma infeção recorrente, uma percentagem significativamente maior quando comparado com crianças que não apresentavam líquido residual no ouvido médio.
De acordo com os investigadores, os resultados deste estudo mostram claramente que, para o tratamento de otites em crianças entre nove e 23 meses de idade, um curso de cinco dias de antibiótico não oferece nenhum benefício em termos de eventos adversos ou resistência aos antibióticos. 
 
Alejandro Hoberman, um dos autores do estudo, conclui que apesar de ser necessário ter em conta a resistência associada a este tipo de infeção, os benefícios de um regime de tratamento de 10 dias superem em muito os riscos.
 
ALERT Life Sciences Computing
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar