Otimistas regulam melhor os níveis de stress

Estudo publicado na “Health Psychology”

29 julho 2013
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Não é novidade o facto de as pessoas que acham que um copo está sempre meio cheio e não meio vazio serem capazes de lidar com o stress de forma muito mais eficiente.
 

Um estudo conduzido por uma equipa do Departamento de Psicologia da Universidade de Concordia , no Canadá, permitiu compreender melhor a forma como os otimistas e os pessimistas encaram e lidam com o stress, através de comparações, não de uns com os outros, mas com eles próprios. Até à data, a ciência não tinha conseguido estabelecer uma associação exata entre o otimismo e a resposta biológica ao stress por parte do indivíduo.
 

Os resultados do estudo demonstraram que o cortisol, a hormona responsável pelo stress, tem tendência a ser mais estável nas pessoas com personalidades mais otimistas. Para o estudo, a equipa contou com a participação de 135 adultos, com idade igual ou superior a 60 anos de idade, foram seguidos durante um período de seis anos. Foram escolhidos adultos nesta faixa etária devido ao facto de as pessoas em idades mais avançadas terem frequentemente que lidar com fatores de stress.
 

Durante o período de acompanhamento, foram recolhidas cinco amostras de saliva dos participantes por dia, as quais forma utilizadas para monitorizar os níveis de cortisol dos mesmos. Os participantes tiveram igualmente que descrever os níveis de stress pelos quais entendiam passar no seu dia-a-dia, bem como identificarem-se como sendo otimistas ou pessimistas. Os níveis de cada participante foram depois medidos e comparados com a média pessoal.
 

O cálculo da média pessoal forneceu dados fidedignos sobre a forma como as pessoas respondem ao stress. Joelle Jobin, candidata a doutoramento em psicologia clínica e coautora neste estudo, afirmou que “para algumas pessoas, uma ida a uma mercearia ao sábado de manhã pode ser muito stressante”. Por esse motivo, os investigadores perguntaram aos participantes com que frequência os mesmos se sentiam stressados, comparando esses níveis com as médias pessoais.
 

Foi determinado que as pessoas pessimistas tinham mais stress de base do que as otimistas, bem como mais problemas com a regulação biológica do seu sistema quando se deparavam com situações particularmente stressantes. Apresentavam, em alturas de maior stress, mais problemas para baixarem os níveis de cortisol. Os otimistas, no entanto, permaneciam protegidos em circunstâncias idênticas.  
 

O estudo veio confirmar a relação entre o otimismo e o stress, que tinha sido já levantada, mas veio também revelar outra descoberta surpreendente: os otimistas com vidas mais stressantes segregam níveis de cortisol mais elevados logo a seguir a terem acordado (decrescendo durante o dia). Uma possível explicação reside no facto de o cortisol ser a chamada hormona do stress mas ser também a hormona responsável pela ação. Sendo assim, é possível que segreguemos mais cortisol se estivermos empenhados no que está a acontecer à nossa volta e quisermos participar.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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