Os telómeros e a mortalidade por cancro

Estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”

15 abril 2015
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A utilização da enzima telomerase por células cancerígenas poderá depender das variantes genéticas relacionadas com a atividade da telomerase que estão expressas nas células de um indivíduo, indica um estudo dinamarquês.
 
Os telómeros são sequências curtas de repetições de nucleótidos que protegem as extremidades dos cromossomas. Nas células somáticas essas sequências protetoras tornam-se mais curtas a cada replicação celular até atingirem um comprimento crítico que pode desencadear a morte da célula.
 
Nas células que se replicam ativamente, como as células germinativas, células estaminais embrionárias e células estaminais da medula óssea, a enzima telomerase preenche essas sequências protetoras para assegurar uma replicação apropriada.
 
Ao que parece, as células cancerígenas também conseguem ativar a telomerase, o que lhes permite replicarem-se indefinidamente, com consequências terríveis para o paciente. No entanto, a extensão da utilização da telomerase por esse tipo de células pode depender das variantes genéticas relacionadas com a atividade da telomerase expressas nas células de cada indivíduo.
 
O encurtamento dos telómeros é um processo relacionado com o avanço da idade e que pode ser intensificado mediante fatores relativos ao estilo de vida, como fumar e obesidade. Estudos anteriores evidenciaram uma associação entre telómeros curtos e elevados índices de mortalidade, incluindo por cancro mas outros estudos não encontraram uma associação entre aqueles fatores. 
 
Uma explicação possível para estes resultados contraditórios pode ser o facto de a associação entre telómeros curtos e uma maior mortalidade por cancro estar correlacionada, embora as verdadeiras causas possam ser outros fatores, como a idade e o estilo de vida (não tidos em consideração anteriormente). A variação em muitos genes associados ao comprimento dos telómeros (TERC, TERT, OBFC1) é independente da idade e estilo de vida. Deste modo, uma análise genética denominada análise Mendeliana poderá ser elucidativa e permitir o estudo da presumível associação causal entre o comprimento dos telómeros e a mortalidade por cancro.
 
Uma equipa de investigadores do Hospital Universitário de Copenhaga, na Dinamarca, recorreu a dados oriundos de dois estudos populacionais em Copenhaga que abrangiam um total de 64.637 indivíduos, os quais tinham sido seguidos entre 1991 e 2011. Os indivíduos tinham respondido a um questionário, sido submetidos a um exame físico e tinham-lhes sido retiradas amostras de sangue para medições bioquímicas, de genótipos e do comprimento dos telómeros.
 
Adicionalmente, foram usados três variantes genéticas nos genes TERC, TERT e OBFC1 para construir um instrumento que permitisse pontuar a presença de encurtamento dos telómeros.
 
Durante o período de monitorização morreram 7.607 indivíduos, 2.420 dos quais devido a cancro. Tal como se esperava, o decréscimo no comprimento dos telómeros foi associado à idade e outras variantes, como fumar e índice de massa corporal, e à morte por todas as causas, inclusive cancro. 
 
Todavia, uma pontuação mais elevada para o decréscimo no comprimento dos telómeros foi associada especificamente a uma menor mortalidade por cancro, mas não a outras causas de morte, o que sugere que os pacientes de cancro com um maior índice de telómeros mais curtos poderão ser beneficiados devido a uma redução na replicação descontrolada de células cancerígenas que conduz ao crescimento dos tumores e morte. 
 
Os autores concluem assim que telómeros mais longos poderão apresentar uma vantagem para a sobrevivência das células cancerígenas, permitindo a sua divisão e levando naturalmente a uma maior mortalidade por cancro.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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