Os quistos benignos do ovário devem ser removidos ou vigiados?

Estudo publicado na revista “The Lancet Oncology”

08 fevereiro 2019
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As mulheres com quistos não-cancerígenos do ovário poderão não necessitar de uma intervenção cirúrgica para os remover, evitando assim potenciais complicações cirúrgicas, conclui uma equipa de investigadores.
 
As opiniões dividem-se relativamente ao tratamento a aplicar a quistos do ovário que se pensa serem benignos. Frequentemente, os médicos recomendam a remoção dos quistos por via cirúrgica, com receio de complicações graves como rutura do quisto, torção ovárica ou mesmo degeneração para cancerígeno.  
 
A vigilância ativa é outra opção, em que o médico monitoriza o tamanho e aparência do quisto através de ecografia. Esta opção deve-se ao facto de muitos quistos diminuírem de tamanho e desaparecerem, ou então não se alterarem ao longo do tempo.
 
Num estudo conduzido pela equipa internacional de investigadores, foram acompanhadas 1.919 mulheres com uma média de 48 anos de idade, de 10 países diferentes, incluindo europeus. As mulheres tinham sido diagnosticadas com quistos benignos do ovário, que tinham uma média de 4 cm de comprimento. 
 
Como resultado, 20% dos quistos desapareceram naturalmente e 16% acabaram por ser removidos por intervenção cirúrgica. De forma geral, em 80% dos casos, o quisto resolveu-se por si ou não necessitou de intervenção. 
 
Apenas 0,4% dos casos (12 mulheres) foram diagnosticados subsequentemente com cancro dos ovários, um facto que a equipa considera que poderá ser devido a um diagnóstico inicial incorreto como quisto não-cancerígeno, em vez de quisto benigno a tornar-se maligno.
 
A torção ovariana e a rutura do quisto verificaram-se em 0,4% e 0,2% dos casos, respetivamente. Os investigadores consideram que estes riscos devem ser avaliados juntamente com os riscos de uma remoção por via cirúrgica do quisto. O risco de complicações cirúrgicas em mulheres de 50 a 74 anos, como perfuração intestinal, é de 3 a 15%.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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