Os portugueses sorriem muito pouco

Estudo conduzido por Freitas Magalhães, da Universidade Fernando Pessoa

06 janeiro 2014
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Os portugueses sorriem muito pouco, e esta tendência agravou-se nos últimos dois anos, são as conclusões de um estudo que durou uma década.

 

Intitulado “Uma Década de Sorriso em Portugal”, o estudo foi conduzido por Freitas Magalhães, Diretor do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Faculdade de Ciências da Saúde  da Universidade Fernando Pessoa, tendo decorrido entre 2003 e 2013.

 

“Os resultados da análise ao sorriso dos portugueses durante o segundo semestre de 2013, revelam uma expressiva diminuição na frequência e intensidade, a maior desde o início do estudo em 2003”, o que é “muitíssimo preocupante em termos de saúde dos portugueses”, comentou o autor do estudo em nota de imprensa.

 

Para o estudo o autor baseou-se na análise de quase 400 mil fotografias oriundas de jornais diários portugueses.

 

Com base nas 15.114 fotografias analisadas no primeiro semestre de 2013, as mulheres continuaram a sorrir mais do que os homens, apesar da descida acentuadíssima em relação a 2012, independentemente da idade, e os homens apresentaram o sorriso mais fechado a partir dos 60 anos; as crianças são as que continuam a apresentar mais e frequentemente o sorriso largo, um padrão que se mantém desde 2003, ano de início do estudo, em se constatam vestígios de diminuição da frequência e intensidade do sorriso.

 

O Diretor do Laboratório de Expressão Facial da Emoção explicou ainda em comunicado que “o sorriso é uma reação neuropsicofisiológica que se desenvolve em situações que envolvam o bem-estar e a felicidade e quando tal não se verifica, por motivos externos, o sorriso é inibido e recalcado”.

 

Os resultados indicam uma diminuição significativa na expressão de qualquer tipo de sorriso e o aumento da expressão neutra em mulheres e homens. No universo das fotografias analisadas, verificou-se, também, que “a expressão facial de emoções negativas é mais frequente e intensa do que a de emoções positivas. Este padrão acentuou-se expressivamente durante o segundo semestre de 2013”, adiantou ainda Freitas Magalhães.

 

No decorrer dos 10 anos de estudo, ficou comprovado que um dos moderadores da frequência e intensidade e expressão do sorriso é o contexto social, o que se verificou no caso português, pois a situação económico-social potenciou a inibição da expressão. O género e a idade contribuem também para estes resultados.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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