Os poderes do ginseng: mito ou realidade?

Estudo nega efeitos da raiz contra stress e fadiga

27 março 2002
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Apresentado ao longo da história da humanidade como um tónico energético, o ginseng tem sido largamente aconselhado para casos de fadiga e stress.
 

Desde há mais de seis mil anos que a raiz da erva ginseng adquiriu o estatuto de produto quase milagroso. Proliferou por toda a China, país que a promoveu, como cura para quase todas as doenças. E não é por acaso que ao ginseng, de imediato, associamos vigor físico.
 

 

Uma lenda popular chinesa conta a história de dois homens que competiram numa corrida. À chegada à meta, o vencedor não tinha perdido o fôlego porque, diz a história, tomou ginseng.
 

 

A estes poderes quase mágicos, juntaram-se muitos outros ao longo da história da humanidade. Para os chineses, esta raiz que apresenta uma forma humana, é considerado um produto mágico.
 

 

Crenças e magia
 

 

Apesar da crença nos poderes milagrosos da raiz, as quais alastraram também ao mundo Ocidental, a verdade é que alguns estudos científicos põem em causa os reputados benefícios do ginseng. Um trabalho recente, feito por investigadores norte-americanos, refere que em testes com pessoas “o ginseng não teve efeito na disposição quando comparado a uma pílula de açúcar- placebo”. A afirmação vem do chefe da investigação, Bradley J. Cardinal, professor associado de ciências do desporto e director do Laboratório de Psicologia Desportiva da Universidade de Oregon.
 

 

Em vários testes, destinados a comparar o efeito do extracto de gingeng com o placebo, os investigadores concluíram, após oitos semanas, que a raiz não melhorou nem a disposição nem o humor dos voluntários. Ou seja, não foram encontradas diferenças entre os grupos, o que, segundo os investigadores, indica que o ginseng não teve efeito perceptível sobre a disposição.
 

 

Para Cardinal, este estudo vem ao encontro de outras investigações que demonstraram um pequeno efeito do ginseng em pessoas saudáveis.
 

 

Alertas e perigos
 

 

Estas conclusões não devem estimular as pessoas a aumentar o consumo da raiz com o intuito de aumentar o efeito, alertou o investigador. O “abuso do ginseng” pode causar nervosismo, inchaço e diarreia e apesar de ser um produto natural, a erva pode interagir de forma perigosa com outros medicamentos, reforçou o especialista.
 

 

Teses antigas, muitas destas ligadas a propósitos comerciais, demonstram precisamente o contrário. O Ginseng foi referido em vários estudos como um produto não tóxico, sem efeitos secundários e inofensivo para o organismo.
 

 

Algumas investigações chegam até a referir que em análises químicas, o ginseng mostraram ser bastante rico em hidratos de carbono complexos e possuir mais de uma dúzia de componentes activos, além de 26 derivados de aminoácidos.
 

 

Em registos sobre o assunto, muitos especialistas em homeopatia referem o estudo de Brekman, o qual aponta um largo efeito do ginseng nas glândulas adrenais dos animais testados. Ou seja, os animais submetidos à experiência com ginseng reagiram melhor a situações de stress.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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