Os perigos que escondem por detrás da virilidade

Psicóloga lança livro sobre os custos fatais da masculinidade

03 fevereiro 2005
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Estudos sobre a masculinidade revelam que o conceito tradicional de virilidade pode ser fatal para os homens, induzindo-os a comportamentos de risco que aumentam as mortes nas estradas e propagam a SIDA entre os heterossexuais.
 

 

«O que mostram os estudos é que algumas formas de masculinidade, nomeadamente a masculinidade hegemónica ou tradicional, têm custos», explicou à Lusa a psicóloga social e professora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) Lígia Amâncio, a propósito do livro «Aprender a ser homem, construindo masculinidades», que foi lançado na semana passada em Lisboa.
 

 

A investigadora, que se tem dedicado ao estudo dos conceitos sociais de género, compilou neste trabalho uma série de estudos realizados por jovens psicólogos sociais seus alunos no ISCTE, sobre os efeitos sociais do conceito tradicional de homem.
 

 

Segundo defende Lígia Amâncio, o facto de os homens terem uma esperança de vida mais curta do que a das mulheres pode explicar-se socialmente.
 

Devido a um certo conceito de masculinidade, os homens «preocupam-se menos com o corpo, queixam-se menos, são menos frequentadores dos serviços de saúde», diz a psicóloga.
 

 

Por outro lado, como prova um dos estudos descritos no livro, o número de mortos nas estradas entre os 18 e os 24 anos é «esmagadoramente masculino», o que pode explicar-se, segundo a autora, com uma necessidade dos jovens de provar a virilidade através da busca do risco e do desafio.
 

 

Também o aumento da SIDA entre os heterossexuais não é alheio às questões do género. «Está ligado a uma forma de comportamento sexual que prescinde da prevenção», diz Lígia Amâncio, adiantando que este problema tem duas vertentes: por um lado os rapazes não tomam a iniciativa de sugerir o preservativo, por outro as raparigas assumem uma posição subordinada aos seus companheiros.
 

 

Mas nem só os heterossexuais sofrem as consequências da concepção de masculinidade hegemónica, afirma a psicóloga social, lembrando que aqueles que não assumem para si o modelo tradicional de homem são duramente estigmatizados.
 

 

Fonte: Lusa
 

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