Os perigos do tabaco durante a gravidez

Cientistas descobrem genes ligados a baixo peso e parto prematuro

09 fevereiro 2002
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Os cientistas podem ter descoberto a razão pela qual algumas mulheres que fumam durante a gravidez têm bebés pequenos, enquanto outras, com os mesmos hábitos, dão à luz bebés normais.
 

 

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da
 

Universidade de Boston, EUA, acredita que a chave deste mistério é o modo como determinados genes interagem com o fumo do cigarro. O estudo efectuado pelos cientistas mostrou que as mulheres grávidas que fumam têm mais probabilidades de ter um bebé prematuro ou com baixo peso devido à falta ou inactividade de dois genes. Estes genes - CYP1A1 chamado e GSTTI - controlam o modo como o organismo quebra os componentes químicos dos componentes químicos do fumo do cigarro.
 

 

A equipa de Wang estudou 741 mulheres grávidas que deram à luz no Centro Médico de Boston durante 1998-2000. As gestações mais curtas, bem como os bebés com mais baixo peso foram relacionados com as mulheres que fumaram durante todo a gravidez, as quais apresentaram variações de ambos os genes CYP1A1 e GSTTI.
 

 

Com as mesmas variações genéticas, as mulheres não fumadoras não apresentaram nenhum risco acrescido de nascimento prematuro ou de baixo peso do bebé.
 

 

O artigo publicado pelos cientistas no «Journal of the American Medical Association» refere que: "os dados demonstram que um subgrupo de mulheres grávidas com determinados genotipos pareceu ser particularmente susceptível ao efeito adverso do fumo do cigarro, sugerindo uma interacção metabólica entre genes e o fumo do cigarro. "
 

 

Entretanto, o baixo peso dos bebés foi descrito pela investigadora como um problema muito
 

complexo, onde coabitam muitos factores ambientais e genéticos diferentes.
 

 

Segundo os autores do estudo, este é o primeiro estudo que demonstra a ligação entre o consumo de tabaco, genes específicos e o baixo peso em bebés. " Embora tudo isto necessite de ser confirmado, é um processo contínuo. Nós esperamos que estes trabalhos conduzam para melhorar maneiras reconhecer e tratar aquelas mulheres em risco elevado de ter um bebé com baixo peso.
 

 

Mesmo que certas mulheres não possuam o perfil genético apresentado, os investigadores aconselham todas as que pensam engravidar a reduzir ou parar de fumar. Em declarações à BBC, Wang refere que " a mensagem geral tem avisar todas as futuras mães fumadoras que podem prejudicar os seus bebés. "
 

 

Agora, a equipa de Wang procura identificar os traços genéticos específicos das mulheres que provavelmente podem dar à luz crianças prematuras ou com baixo peso. Para tal, analisa 51 genes, incluindo os envolvidos nas respostas do corpo ao stress e infecção, nas
 

mudanças hormonais relacionadas à gravidez e nos modos como o organismo absorve uma variedade de toxinas ambientais.
 

 

Marijuana
 

 

Um outro estudo elaborado na Grã-Bretanha também indica alguns factores de risco entre o hábito de fumar marijuana durante a gravidez e as consequências para os recém-nascidos.
 

 

Apesar de não ter encontrado indícios de que o uso de marijuana durante a gravidez aumente o risco de aborto, a equipa de cientistas britânicos e neozelandeses constatou que as utilizadoras de marijuana, que mantiveram o hábito durante a gravidez, deram à luz bebés mais pequenos.
 

 

Ainda não está clara a razão pela qual a marijuana retarda o crescimento do feto. No entanto, sabe-se que a mistura da droga com tabaco - charro - liberta substâncias químicas que prejudicariam o desenvolvimento do feto.
 

 

Em média, os filhos de mulheres que fumaram marijuana pelo menos uma vez por semana durante a gestação nasceram com 216 gramas a menos do que bebés de mães não-utilizadoras.
 

 

Descontados os efeitos de outros factores, como o tabaco, os cientistas chegaram à conclusão de que o consumo regular da droga reduz o peso do feto em cerca de 90 g. Ainda de acordo com o estudo, os bebés de mães consumidoras de marijuana tendem a ser mais baixos e com cabeças mais pequenas.
 

 

Segundo os cientistas, fumar um “charro” - cigarro de marijuana - por semana equivale a fumar 15 cigarros de tabaco por dia. "Essas descobertas sugerem que é prudente alertar as mulheres grávidas para as provas de que a marijuana pode levar à redução do crescimento fetal", escreveram os investigadores na última edição do Jornal Britânico de Obstetrícia e Ginecologia.
 

"De uma forma geral, mulheres grávidas deveriam evitar o uso de todas as substâncias tóxicas durante a gravidez."
 

 

Mais de 12 mil mulheres participaram do estudo. Os resultados, no entanto, foram baseados nas declarações das mulheres, que disseram ter ou não usado marijuana durante a gravidez. Segundo os próprios cientistas, essa metodologia pode ter distorcido os resultados.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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