Os perigos das armas biológicas

Norte-americanos preocupados com guerra química

18 setembro 2001
  |  Partilhar:

Depois dos ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington, os norte-americanos temem novas represálias contra alvos norte-americanos.
 

 

Ainda ontem, fontes do FBI fizeram saber, embora não tivessem especificado o local, que os terroristas também tinham planeado a contaminação da água.
 

 

Militares e especialistas acreditam na possibilidade de novos ataques, mas muito mais elaborados, tais como o uso de armas biológicas. Mas será que o mundo está preparado para lidar com uma agressão deste tipo?
 

 

Antrax
 

 

Enquanto as respostas não chegam, especialistas mundiais analisam todas as hipóteses. Uma das armas biológicas mais temidas é o antrax que, segundo os analistas, seria a arma mais facilmente usada pelos terroristas. Um bilionésimo de grama - o tamanho de um grão de poeira - é o suficiente para matar.
 

 

Nas primeiras reacções, os agentes elaborados com antrax causam febre e dores de estômago. Mas, após 24 a 36 horas depois do ataque, uma combinação de graves sintomas leva a uma morte horrível.
 

 

D.A. Henderson, director do Centro de Estudos sobre Biodefesa Civil, na Universidade Johns Hopkins, EUA, descreveu à CNN o possível uso desta arma: "No caso de um acto terrorista biológico, isso seria feito com aerossol. O agente é posteriormente pulverizado".
 

 

Vírus da varíola
 

 

Ainda mais aterrorizador, embora de acesso muito mais difícil para os terroristas, é o vírus da varíola, doença erradicada no mundo inteiro na década de 1980.
 

 

"Para conseguir transportar o vírus da varíola, seria necessário um dispositivo dentro de uma caneta, que passaria com facilidade por qualquer alfândega ou detector de metais. E nesta caneta haveria vírus suficiente para detonar a pior epidemia mundial", analisa Michael Osterholm, director do Centro de Minnesota para Doenças Infecciosas.
 

 

A varíola é de rápida e intensa propagação, como um rastilho de pólvora. Estima-se que a doença tenha matado 120 milhões de pessoas em todo o mundo no século 20.
 

 

Quem tem o vírus
 

 

As únicas reservas de vírus da varíola encontram-se em dois laboratórios, um nos Estados Unidos, o outro na Rússia. Mas pode haver mais. "Há provas circunstâncias de que o Iraque, a Coreia do Norte e a Rússia mantêm reservas não declaradas de varíola", afirma Jonathan Tucker, autor de um novo livro intitulado "Scourge: The Once and Future Threat of Smallpox" ("Flagelo: o passado e a ameaça futura da varíola").
 

 

 

Acredita-se que, durante a Guerra Fria, a União Soviética desenvolveu armas com a varíola e o antrax, que poderiam ser despejadas nos Estados Unidos por meio de mísseis intercontinentais.
 

 

 

Os russos insistem que preservam os agentes biológicos apenas com fins de pesquisa de vacinas. Mas um desertor russo garante que isso é mentira e que as armas poderiam terminar nas mãos das pessoas erradas.
 

 

Apesar dos analistas considerarem a produção de agentes biológicos muito difícil, a verdade é que saber, ao certo, onde estas armas estão a ser fabricadas é pura especulação.
 

 

 

Gás Sarin
 

 

Sem que ninguém esperasse, e à imagem do acontecido em Nova Iorque, há seis anos, um ataque no metro de Tóquio com gás sarin - que ataca o sistema nervoso - indicou que os agentes químicos podem afectar apenas uma área limitada.
 

 

Mas caso os norte-americanos sigam para o Afeganistão, atrás de Bin Laden e dos seus colaboradores, os soldados precisarão de protecção química, afirmam os especialistas.
 

 

Segundo a imprensa local, imagens de campos de treino terrorista em Jalalabad, no Afeganistão, feitas por satélites, mostraram animais mortos na área de experiências - uma sugestão de que os extremistas podem estar a testar várias substâncias venenosas.
 

 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: CNN
 

 

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.