Os pais é que sabem

Estudo divulgado no “The Journal of Pediatrics”

16 abril 2015
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Um novo estudo norte-americano revela a resposta dos profissionais de saúde a preocupações de pais relativamente ao desenvolvimento dos seus filhos, assim como o impacto desta resposta no diagnóstico atempado da doença do espectro do autismo (DEA).
 
Crianças com DEA podem desenvolver sintomas da doença antes dos dois anos de idade, sendo normalmente diagnosticados por volta dos três anos. O diagnóstico atempado da doença é habitualmente associado a melhores resultados em termos de desenvolvimento de longo prazo.
 
O estudo levado a cabo por cientistas do Hospital Pediátrico Doernbecher e da Universidade do Estado de Oregon, EUA, utilizou os dados recolhidos pelo “Survey of Pathways to Diagnosis and Services” (“Estudo de Vias para o Diagnóstico e Serviços”), um estudo realizado em 2011, composto por respostas de pais a um questionário com o intuito de recolher informações sobre as experiências de 1.420 crianças com DEA e comparação com as de 2.098 crianças com um atraso de desenvolvimento/incapacidade intelectual (AD/II) não-específico.
 
Neste estudo, os autores registaram a idade da criança quando os pais começaram a demonstrar preocupação com o seu desenvolvimento, a idade da criança quando os pais expuseram essas preocupações ao médico, e a idade da criança em que foi diagnosticada a DEA.
 
Os resultados da investigação revelaram que os pais com filhos com DEA apresentaram os primeiros sinais de preocupação por volta dos dois anos de idade dos filhos, enquanto os de crianças com AD/II apenas o fizeram quando as crianças tinham já três anos. Os pais discutiram as suas preocupações com o profissional de saúde normalmente por volta dos 2,3 (no caso de crianças com DEA) e dos 3,2 anos de idade (no caso de crianças com AD/II). Os profissionais de saúde revelaram ser 14% menos proativos na resposta às preocupações de pais de crianças com DEA, quando comparado com a resposta às preocupações de pais com crianças com AD/II – isto significa que os profissionais apresentavam menor probabilidade de realizar testes para avaliar o nível de desenvolvimento da criança ou referenciá-la para um especialista. Além disso, os profissionais de saúde que seguiam crianças com DEA procuravam tranquilizar os pais e assegurar-lhes que seria algo passageiro com mais frequência do que os profissionais que seguiam crianças com AD/II. No geral, as crianças com DEA apenas recebiam o diagnóstico da doença quando já tinham aproximadamente cinco anos de idade, ou seja, quase três anos depois de os pais terem revelado pela primeira vez as suas inquietações em relação ao desenvolvimento dos filhos.
 
“Este estudo sugere que o comportamento dos profissionais de saúde é provavelmente um fator importante no atraso da identificação do autismo”, declara Katharine Zuckerman, uma das autoras do estudo.
 
Apesar das evidências que revelam que as inquietações dos pais estão muitas vezes associadas à previsão de problemas de desenvolvimento, entre elas DEA, ainda continua a haver um período de tempo considerável entre a primeira partilha da inquietação com o profissional de saúde e o diagnóstico.
 
“Sabemos que a identificação atempada das DEA é benéfica tanto para as crianças como para as famílias. Infelizmente, muitas famílias veem passar muito tempo desde que expressam as suas preocupações aos profissionais de saúde e os seus filhos são diagnosticados com DEA”, revela Zuckerman.
 
Nesse sentido, os autores do estudo concluem que os profissionais de saúde poderão necessitar de mais formação para agirem sobre as preocupações reveladas pelos pais, especialmente no que diz respeito a DEA. A coordenação de esforços no âmbito dos cuidados primários poderá ser importante no sentido de garantir que as crianças com DEA sejam diagnosticadas atempadamente e possam ser rapidamente encaminhadas para os respetivos serviços terapêuticos. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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