Os misteriosos mecanismos da noguina

Gulbenkian participa em estudo pioneiro sobre proteína determinante na formação do esqueleto

13 dezembro 2002
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Investigação realizada parcialmente no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) permitiu compreender os mecanismos de actuação da noguina, proteína determinante na formação do esqueleto cuja mutação é responsável por síndromas e tumores nas articulações.
 

 

O trabalho foi desenvolvido pelo Salk Institute, Califórnia, em colaboração com Joaquin Rodriguez-Léon, um espanhol de 29 anos que desenvolve investigação no IGC há dois anos e meio em regime de pós-doutoramento, no grupo de organogénese. "Os resultados obtidos permitiram perceber os mecanismos de interacção existentes, a nível bioquímico, entre a noguina e a proteína morfogenética do osso (BMP7), sendo que a primeira inibe a segunda", explicou o investigador, em declarações à Agência Lusa.
 

 

É da (normal) interacção entre as duas que são formados, por exemplo, os dedos das mãos, pelo que mutações na noguina são responsáveis por síndromas e tumores que afectam as articulações esqueléticas.
 

 

Os resultados do estudo, o primeiro a elucidar o modo de actuação da noguina, foram ontem publicados na edição de da revista científica Nature. "A BMP7 é uma proteína envolvida na formação dos ossos. Daí que não possa estar sempre activa, nem no mesmo lugar, sendo necessário que haja a acção inibidora da noguina para que o esqueleto se forme normalmente", explicou Rodriguez-León, comparando o processo a uma "luta molecular".
 

 

Em Lisboa, o investigador do IGC comparou os efeitos de variantes de noguina em embriões de pinto, de forma a poder constatar que alterações de esqueleto sofrem os animais quando lhes é administrada noguina funcional (a que normalmente encontramos no corpo) ou defeituosa. "As experiências permitiram estabelecer que a noguina inibe a acção da BMP7, e que variantes de noguina defeituosas (com diferenças ao nível dos aminoácidos) não têm este efeito".
 

 

São estas alterações, por impedirem a ligação entre a noguina e a BMP7, que estão na origem de tumores nas articulações, podendo mesmo impedir que estas se formem de todo, acrescentou.
 

 

Os trabalhos agora publicados vão fornecer aos cientistas um modelo tridimensional da interacção entre as duas proteínas. "Compreender o seu mecanismo de actuação vai permitir desenvolver medicamentos capazes de controlar o processo de formação do esqueleto", indicou Rodriguez-León.
 

 

Segundo o investigador, isso poderá representar a possibilidade de actuar em situações de doenças resultantes do mau funcionamento do sistema durante o desenvolvimento embrionário.
 

 

Fonte: Lusa
 

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